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Uma carne muito mais forte

Eurico Velasco é presidente da Associação Goiana do Nelore e advogado agrarista

Eurico Velasco - Vale essa

Eurico Velasco é presidente da Associação Goiana do Nelore e advogado agrarista

Logo após a deflagração da Operação Carne Fraca pela Polícia Federal, em que foram descobertas ações de corrupção dentro de frigoríficos, todos que pertencem à cadeia produtiva passaram a sofrer.

Cinco dias após a operação ser divulgada vimos nossas exportações caírem de 63 milhões de dólares para 74 mil dólares, segundo o Ministério do Desenvolvimento. É o resultado da desconfiança do nosso mercado externo.

Um caos envolvido em duas únicas acusações levantadas pela Polícia Federal em dois anos de apuração, produto adulterado e carne de aves e suínos estragadas sendo colocadas na mesa do consumidor. O pior: com a anuência de fiscais do Ministério da Agricultura.

Passado o furacão de notícias desencontradas e alardeadas como rajadas de bala, prisões e conversas, vamos aos fatos que envolvem a carne bovina: em nenhum momento da investigação foram encontradas irregularidades neste produto especificamente. Ressaltamos aqui que os problemas foram identificados em carnes suínas e frangos.

Temos no Brasil quase 5 mil unidades frigoríficas e apenas três foram interditadas. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) tem hoje 11 mil servidores. Envolvidos e afastados foram 33, além dos exonerados.

Pela matemática simples percebemos que o fato é isolado em uma cadeia que produz milhares de empregos. O Brasil é uma das potências mundiais em produção de carne. São 200 milhões de pessoas comendo carne de boi. Exportamos para mais de 200 países de todos os continentes. Somos o grande vendedor deste produto do globo.

Produzimos um animal saudável com genética apurada, resultado de mais de 100 anos de apuração de um DNA para dar ganho ao produtor e saúde a quem compra seja internamente ou no exterior. Somos invejados e vigiados de perto por todos os mercados do mundo.

O problema é que pessoas, diga-se uma mínima parcela, envolvidas diretamente no mercado tentaram ganhar mais colocando em cheque um sentimento muito forte entre quem vende e quem compra, a confiança. No entanto, em um prazo curto, o tempo vai expurgar estes indivíduos e a proteína animal continuará cada vez mais forte.

A nossa evolução genética na produção deste rebanho é crescente e jamais imaginada. Somente o rebanho goiano ultrapassa hoje a casa de 21 milhões de cabeças. É business puro.

Produzimos mais com menos: mais trabalho, persistência, coragem, investimentos, qualidade, tecnologia, etc. Menos: incentivos econômicos, fiscais e tributários dos governos.

Ninguém está fechando os olhos para o ocorrido. Até o governo assustou e tenta sair do “embaraço” econômico. Afastou servidores do Mapa, exigiu da Polícia Federal explicações sobre como foi realizada a perícia etc e tal.

Mesmo assim grandes mercados se fecharam. Agora, todos padecemos, mas acreditamos que seja por pouco tempo. O que aconteceu na sexta-feira, 17, é caso de polícia e não de sanidade.

Artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando necessariamente a opinião editorial do Portal Revista Safra.

 

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