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Tecnologia garante rentabilidade a produtores de café

Um bom exemplo do vigor da atividade no País vem de Luiz Eduardo Magalhães, Bahia, e Cristalina (Goiás, na região do Entorno do Distrito Federal), onde nas áreas de cultivo do café arábica a rentabilidade foi positiva em quase todos os anos analisados

Moacir Neto

Maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil tem na tecnologia uma importante aliada da produtividade. Entre os anos de 2008 a 2017, o País foi responsável, em média, por 32,38% da produção mundial. Seguido do Vietnã, Colômbia, Indonésia e Etiópia, revelam os dados da Organização Internacional do Café (OIC). Juntos, Brasil e Vietnã representam 49% da produção mundial, consideradas as variedades arábica e robusta (conilon).

O Brasil, no mesmo período, respondeu por mais de 30% do total comercializado lá fora, ganhando a primeira posição mundial, seguido por Vietnã, Colômbia, Indonésia e Honduras. É o que mostra o estudo A Cultura do Café: Análise dos Custos de Produção e da Rentabilidade nos Anos-Safra 2008 a 2017, publicado na terça-feira, 9, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Um bom exemplo do vigor da atividade no País vem de Luiz Eduardo Magalhães, Bahia (Estado que compõe a região conhecida como Matopiba), e Cristalina (Goiás, na região do Entorno do Distrito Federal), onde nas áreas de cultivo do café arábica a rentabilidade foi positiva em quase todos os anos analisados. Em Cristalina, os produtores, liderados pelo presidente da Associação dos Irrigantes de Goiás (Irrigo), Luiz Carlos Figueiredo (foto), estão empenhados em obter Indicação Geográfica (IG), do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) para o café produzido em Goiás. Um dos objetivos é ressaltar a qualidade do produto.

Ainda em relação aos índices de produtividade, o mesmo ocorreu em Patrocínio e São Sebastião do Paraíso (MG), onde houve comportamento semelhante no período de 2011 a 2016, com exceção de 2013. Em Franca (SP) e Londrina, no Paraná, a recuperação foi positiva a partir de 2014. Já os produtores de café arábica de Venda Nova do Imigrante (ES) experimentaram resultados positivos apenas em 2012 e 2016.

O estudo da Conab revela que produzir café no Brasil adotando novas tecnologias se torna a cada dia uma atividade mais rentável, se observado o manejo feito há dez anos. Ou seja, o aumento da produtividade está fortemente ligado à tecnificação – reduzindo os gastos com mão de obra -, melhorando a rentabilidade nas duas variedades estudadas. Para o superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Aroldo de Oliveira Neto, o investimento em tecnologia em algumas regiões de produção cafeeira foi fundamental para a mudança de cenário.

“Quando se fala nessa mudança, é preciso voltar no tempo em que se usava basicamente a mão de obra na colheita do café. Na medida em que você usa a tecnologia – e a mecanização faz parte disso – você vai aumentar a quantidade de café colhido e a um custo muito menor. Porque, apenas à guisa de exemplo, onde se colhia um saco manualmente seria possível colher, digamos, cem sacos”, diz em entrevista à Agência Brasil.

Oliveira Neto reconhece que a rentabilidade gerada pela melhora da produtividade, em 2016, foi influenciada também pelo preço favorável do café no mercado internacional. “Mas é preciso lembrar que o café é uma commoditie e que seu preço oscila. Mas mesmo quando o preço cai, o prejuízo que poderia advir dessa queda será sempre muito menor graças ao uso da tecnologia”, disse o superintendente.

Portal Revista Safra, com informações do Mapa, Agência Brasil e Irrigo

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