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Silagem é opção para suprir escassez de pasto

A Embrapa dispõe de diversas cultivares indicadas para a produção de silagem no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina: milho BRS 1002; sorgos BRS 658 e BRS 610; trigos BRS Tarumã e BRS Pastoreio; centeio BRS Serrano; cevadas BRS Quaranta, BRS Cauê, BRA Brau e BRS Korbel; e triticale BRS Saturno

Com a finalização da colheita de verão, os produtores começam os trabalhos na elaboração da silagem de verão (safrinha) e o planejamento da silagem de inverno no Rio Grande do Sul. Garantir forragem conservada em volume e qualidade exige alguns cuidados da colheita à conservação do alimento. As pastagens são a base da alimentação animal na produção pecuária do Sul do País. Na época de escassez de pasto, a alternativa é suprir o cocho com forragens armazenadas em forma de silagem, evitando o uso de grãos e outros suplementos que podem aumentar o custo de produção em até quatro vezes.

O milho e o sorgo têm sido os alimentos mais utilizados para produção de silagem devido à facilidade de cultivo e alta qualidade da silagem, que dispensa o uso de aditivos para fermentação. A cultura do milho tem maior prevalência na bovinocultura leiteira, pois conta com sistema de produção já definido, produção adequada de matéria seca, alto valor energético e consumo voluntário elevado. Entretanto, o sorgo para silagem pode apresentar alto teor de matéria seca quando comparado ao milho, principalmente nas regiões de baixa fertilidade do solo e em locais com ocorrências de estresse hídrico.

Em geral, o milho é o preferido na produção de volumoso ensilado pelo potencial produtivo e qualidade da silagem, além da tradição no cultivo, a ampla oferta de híbridos, a boa aceitação dos animais e a possibilidade de automação de várias etapas na silagem. O milho também atende os requisitos agronômicos para a confecção de uma boa silagem: teor de matéria seca entre 30% a 35%, no mínimo 3% de carboidratos solúveis na matéria original e baixo poder tampão, que facilita o abaixamento do pH da massa ensilada e consequente estabilização da forragem decorrente da boa fermentação microbiana.

De acordo com a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Milho e Sorgo) Jane Machado, no Brasil existem poucas cultivares de milho indicadas somente para produção de silagem, desta forma, alguns produtores direcionam para a colheita de grãos a lavoura inicialmente implantada com o propósito de silagem, em virtude das oscilações dos preços ou da disponibilidade de alimento. “Para produzir silagem de boa qualidade, com alto valor nutritivo, o produtor deve plantar cultivares boas produtoras de massa, associada com alta produção de grãos. Dentre os vários híbridos adaptados para a região, a preferência deve ser para aqueles de grãos mais macios e com maior produção de grãos. Ainda, a população de plantas de milho para silagem não deve ser maior do que 10 a 15% do recomendado pelo obtentor para produzir grãos”, recomenda Jane.

O principal cuidado na silagem de milho é acertar o ponto de colheita. A planta deve ser colhida entre 32% a 35% de matéria seca, momento que pode ser visualizado no campo quando o grão estiver em massa firme, logo após o ponto de milho verde. Se o teor de matéria seca (MS) estiver abaixo de 30%, a silagem terá baixa qualidade nutricional, pois ocorrem perdas por escorrimento de nutrientes junto com o excesso de água (choro da silagem); por outro lado, se a MS estiver acima de 35%, dificulta a compactação e ocorrem perdas respiratórias devido ao maior tempo para fermentar, oportunizando o desenvolvimento de microrganismos indesejáveis como fungos produtores de micotoxinas.

O milho permite produzir três tipos de silagem: de planta inteira, da espiga e do grão úmido. A forma mais utilizada é a silagem de planta inteira, quando a planta é triturada em fragmentos de 1 a 2 centímetros e armazenada em local seco, livre da entrada de ar. Em muitos casos, a colheita e armazenagem da silagem é terceirizada. As planilhas de custo mais recentes feitas pela Embrapa Gado de Leite demonstram que, nos sistemas a pasto e confinados, a silagem de milho corresponde de 4,7% a 16,7% do custo de produção do leite. O custo da silagem de milho pode ser reduzido com a adoção de tecnologias apropriadas no cultivo das lavouras, na confecção da silagem e em sua utilização. Entretanto, esta redução pode ser ainda maior pela utilização de cultivares que apresentam alta produtividade e bom valor nutritivo, com elevada digestibilidade.

Silagem de inverno – O inverno é a época de produzir alimento a menor custo, quando muitas áreas estão ociosas, mas com boa fertilidade e disponibilidade de água. Assim, é também o melhor momento para armazenar alimento conservado. Existem diversas opções para fazer silagem de inverno, porém deve ser evitada a mistura de espécies, devido às diferenças na fermentação, mas é comum o produtor fazer silagem pré-secada de aveia preta e azevém anual.

“Quando consideramos o volume de forragem, a espécie mais produtiva é o centeio, seguida por triticale, aveia branca, trigo e por último a cevada. Entretanto, o melhor valor nutritivo pode ser relacionado com a quantidade de grãos em relação a biomassa total, o que destaca as cevadas e os trigos de baixo porte e sem aristas, além de algumas cultivares de aveia branca”, explica o pesquisador da Embrapa Trigo Renato Fontaneli. A Embrapa dispõe de diversas cultivares indicadas para a produção de silagem no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina: milho BRS 1002; sorgos BRS 658 e BRS 610; trigos BRS Tarumã e BRS Pastoreio; centeio BRS Serrano; cevadas BRS Quaranta, BRS Cauê, BRA Brau e BRS Korbel; e triticale BRS Saturno.

Embrapa

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