Paulo Lanzetta/Embrapa

Setor de ovos aposta em recuperação nas exportações

A longo prazo, um crescimento no número de países importadores associado ao maior volume produzido pode contribuir para aumentar a inserção do Brasil no mercado internacional

Depois de registrar fraco ritmo das exportações no ano passado, o setor de ovos, segundo apontam pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq/USP), tem expectativa de recuperação nas vendas externas do produto em 2018, fundamentados nas recentes aberturas de novos mercados internacionais. No final de 2017, a África do Sul liberou as importações de ovos in natura e processados provenientes do Brasil.

A longo prazo, um crescimento no número de países importadores associado ao maior volume produzido pode contribuir para aumentar a inserção do Brasil no mercado internacional. Vale lembrar que a representatividade do País no mercado global ainda está distante dos demais exportadores. Em relação ao consumo doméstico, espera-se que a modesta recuperação econômica do Brasil prevista para 2018 em, pelo menos, 0,62% ao ano, segundo o Banco Central do Brasil (BC), contribua para estimular a demanda por ovos, seja por parte da indústria de alimentos ou pelo consumo in natura.

Em 2017, o consumo per capita dos brasileiros já havia aumentado cerca de 1% em relação a 2016, atingindo o volume de 192 ovos no ano. O setor pode, ainda, ser beneficiado, mesmo que indiretamente, pela ampla divulgação de pesquisas científicas recentes que demonstram os benefícios nutritivos resultantes do consumo de ovo. Por outro lado, o crescimento da economia e a redução da inflação podem favorecer o aumento do poder aquisitivo do brasileiro em 2018, estimulando o consumo de outras proteínas mais caras, como as carnes bovina, suína e de frango.

Dentro da porteira, estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que, em 2018, a produção nacional de ovos será entre 5% e 6% superior à do ano passado. Diante disso, a capacidade de absorção dos mercados doméstico e externo é de extrema relevância para a determinação dos preços que serão recebidos pelos produtores e, consequentemente, para o desempenho do setor.

O aumento na produção já pôde ser observado em 2017, uma vez que, segundo a ABPA, o plantel de postura comercial aumentou 4,7% em dezembro do ano passado, em comparação com o mesmo período de 2016. Em relação ao custo de produção, para 2018 o preço do milho, importante insumo da atividade, pode aumentar, elevando os custos da ração frente ao observado no ano passado. A expectativa de valorização do milho está pautada no atraso da colheita da soja que pode retardar o plantio do milho.

Cepea/USP

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