Divulgação/Aprosoja-MT

Safra de 232 milhões de toneladas de grãos é mantida

A estimativa de área é também destaque, com a entrada de números das culturas de inverno e outras, podendo se tornar a maior da série histórica, ou seja, 61,5 milhões de hectares

As doenças na cultura da soja, em especial a ferrugem asiática, tiraram o sono dos produtores do Rio Grande do Sul. Novamente, o clima influenciou bastante tanto o desenvolvimento da cultura quanto da doença. A alta variabilidade climática no Sul pode ser um dos fatores que prejudicaram a cultura, analisa o professor Carlos Forcelli, da Universidade de Passo Fundo (UPF). A afirmação é feita em um bom momento para a safra brasileira de grãos, cuja previsão de segunda maior colheita de grãos do Brasil, com uma produção de 232,6 milhões de toneladas, fica mantida. Mesmo diante das intempéries climáticas. Os dados estão no 8º Levantamento da Safra de Grãos 2017/18, divulgado nesta quinta-feira, 10, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A estimativa de área é também destaque, com a entrada de números das culturas de inverno e outras, podendo se tornar a maior da série histórica, ou seja, 61,5 milhões de hectares. Apesar do decréscimo de 2,1% em comparação à safra passada, que chegou a 237,7 milhões de toneladas, o número é bem elevado em relação à média de produção nacional, em condições atmosféricas normais. Na comparação com a pesquisa do mês de abril, a estimativa total da safra mostra um aumento de 1,3%, ou cerca de 3 milhões de toneladas.

A soja, principal commodity da produção brasileira, continua com o maior volume. E responde pelo bom desempenho produtivo e cujo avanço da colheita já confirma a boa produtividade, além do milho total. A leguminosa registra 117 milhões e o cereal 89,2 milhões de toneladas. Já o milho segunda safra (safrinha) responde por 70% de sua colheita (62,9 milhões de toneladas), cabendo ao milho primeira safra 26,3 milhões de toneladas. Na sequência de aumento da produção deste levantamento, vem o algodão em pluma, com um volume de 1,9 milhão de toneladas, algo em torno de 27% a mais que a safra anterior. O feijão segunda safra também registra bom desempenho, com um aumento de 10,2% e colheita de 1,32 milhão de toneladas.

Com o término do plantio das culturas de segunda safra, a estimativa de área de plantio para o feijão e as culturas de inverno sinalizam um crescimento de área, a maior da série histórica, ou seja, 61,5 milhões de hectares, com um incremento de 1,1%. Na ordem crescente de ganho absoluto da área plantada, vem a soja com 1,2 milhão de hectares, o algodão (236,8 mil ha) e o feijão segunda safra (132,6 mil ha). Com os aumentos, a área total da soja ficou em 35,1 milhões de hectares e em seguida o feijão segunda safra (1,6 milhão ha) e o algodão (1,2 milhão ha).

Apesar do ganho em produtividade, na atual safra os problemas começaram mais cedo. Os primeiros focos de doenças surgiram no mês de dezembro do ano passado. Na última safra, a 2016/17, começou no início de janeiro. Como consequência da contaminação precoce, a ferrugem atinge uma intensidade final maior, devido ao tempo prolongado que teve para se desenvolver.

Além disso, no mês de dezembro o Rio Grande do Sul contou com aproximadamente 50% a menos de chuva, que inibiu o desenvolvimento tanto da soja, quanto da ferrugem. No final deste mesmo mês, a instabilidade retornou e garantiu a recuperação da soja, projetando um cenário de alto potencial produtivo. Nesse período de alta produtividade, a doença da ferrugem deu uma acalmada nas lavouras, não as afetando tanto, já que os produtores puderam notar o quanto antes os sintomas e eliminá-la. Quando há um rápido aumento na área foliar da soja, os problemas ficam escondidos e o produtor tem mais dificuldade. O ideal é estar sempre atento à sua plantação.

A colheita da soja já foi finalizada. Segundo o meteorologista da Climatempo, Alexandre Nascimento, a produtividade da soja nesta safra teve uma queda significativa no Rio Grande do Sul, sobretudo devido à estiagem prolongada no centro-sul do estado. A produtividade média no estado foi de 53,7% nesta última safra 2017/18 contra 56% da safra anterior 2016/17. Clique aqui para acessar o boletim da Conab.

Portal Revista Safra, com informações da Climatempo e Conab

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