Divulgação/Grupo Daga

Proteção ao investimento

Para amenizar perdas financeiras, produtores apostam em seguros para animais de elite 

Diene Batista*

 Quando um raio partiu ao meio um jatobá em sua fazenda em Três Corações, Minas Gerais, e danificou a garagem, em março deste ano, o produtor Ronaldo Carvalho Silva, da RCS Agropecuária, viu que era hora de contratar um seguro para a propriedade. “Com o que eu gastei para arrumar o estrago, pagaria a apólice por alguns anos”, diz ele, que agora estuda qual plano melhor se encaixa a sua situação.

Experiência ele já tem. Há um ano, quando voltou a trabalhar com Puros de Origem (PO), Silva fez o seguro para três animais de elite: Rena, sua filha Tulipa, e Natália, todas da raça simental. Entusiasta dessa modalidade de serviço, o produtor compara sua aquisição com as aplicações financeiras em um banco. “Você tem um fundo garantidor que protege seu dinheiro no caso da quebra (da instituição financeira)”, diz.

Segundo ele, anualmente, o investimento no seguro corresponde a 5% do valor do animal, sem a subvenção federal. Com o incentivo, o valor cai para 3%. “O seguro é a forma de proteger os investimentos no campo, que são de retorno baixo. Se o produtor fica descoberto com variáveis que não controla, como um raio ou uma picada de cobra, pode perder o investimento de uma vida inteira”, comenta.

Além dos animais também fez seguro para os tratores da propriedade, mas deixou de fora os animais de corte. “Como valor do animal é preço de mercado, o custo ainda não viabiliza a contratação. Já para o de elite fica interessante, pois o valor agregado é maior”, afirma.

Opções

A proprietária da Denner Seguro de Animais, Karen Matieli, explica que os donos de animais de elite têm à sua disposição desde a cobertura básica de vida até específicas, como em caso de transporte do animal, fertilidade em caso de reprodutores e doadoras, entre outras. As apólices não contemplam viagens internacionais para bovinos, só para equinos. “O que ocorre é que animais elite podem participar de provas, exposições, e neste caso, há uma cobertura específica que garante a indenização em caso de morte decorrente de acidentes, que é a cobertura de transportes”, explica.

De acordo com Karen, variáveis como idade do animal, raça, localização e valor, entre outros, determinam o custo do seguro.  “O seguro é a principal ferramenta de mitigação de risco, ou seja, quando se tem um animal com genética diferenciada, que possui em seu histórico filhos  provados e comercialização de produtos, isso faz com que esse animal tenha um valor significativo. Ter um seguro desse animal traz tranquilidade e proteção. O seguro não repara a perda genética, porém ameniza a perda financeira”, diz.

Retorno

É com o foco de recuperar pelo menos parte do valor investido que o produtor Gustavo Oliveira e Souza, do grupo Daga, de Edéia, no sul de Goiás, resolveu contratar um seguro para a Grazia CC. Grande campeã da Expozebu deste ano, realizada em Uberaba, Minas Gerais, a tapabuã de 34 meses ganhou uma apólice de R$ 300 mil. “É um animal único, com cinco grandes campeonatos na carreira”, explica.

Em outubro, em um leilão em Goiás, Souza pretende vender metade do animal e vê no seguro uma garantia para ele e para o futuro comprador. Eles devem se revezar no pagamento da apólice e dividir seu valor, caso aconteça algo ao animal. “Vendemos uma aspiração (coleta dos óvulos) da Grazia CC por R$ 32 mil. É até difícil calcular o valor do animal”, afirma.

Além da tabapuã, o produtor também contratou o serviço para o touro Dgano Fiv NGT, adquirido em leilão em Goiânia (GO), no ano passado, por R$ 100 mil. “O gado de elite tem um preço alto, e o seguro é uma garantia, pelo menos, do dinheiro aplicado”, avalia.

* Colaboração para a Revista Safra

Reportagem publicada na edição de setembro da Revista Safra, a partir da página 34.

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