Projeto de rastreabilidade bovina encontra resistência do setor pecuário

Uma das justificativas do segmento é que falta tecnologia, inclusive, para a implantação de telefonia e internet nas fazendas, um dos requisitos para a instalação de um sistema de rastreabilidade, hoje fora dos padrões dos produtores

Moacir Rodrigues

Se aprovado, projeto de autoria do deputado Santana Gomes (PSL) já nasce polêmico e desperta reação do setor pecuário goiano. Conforme o texto, seria aplicada a rastreabilidade online obrigatória na cadeia produtiva de carnes de bovinos e bubalinos em Goiás, medida que contraria o setor. Uma das justificativas é que falta tecnologia, inclusive, para a implantação de telefonia e internet nas fazendas, um dos requisitos para a instalação de um sistema de rastreabilidade, hoje fora dos padrões dos produtores.

A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) emitiu nota contrária ao projeto. Que, se aprovado, representa ônus a mais aos pecuaristas do Estado. “A Faeg, atuando em defesa dos produtores goianos, rejeita o projeto de lei do deputado estadual Santana Gomes, que dispõe sobre a aplicação de rastreabilidade online obrigatória na cadeia produtiva das carnes de bovinos e bubalinos em Goiás, por ser inoportuno e inexequível”, diz a nota.

Para a entidade, que tem como presidente José Mário Schreiner, o projeto não considera a atual situação da pecuária goiana “que já sofre com os impactos das operações Carne Fraca e Carne Fria, delações da JBS e embargo norte-americano”. Além do mais, prossegue a nota, “esse projeto de lei faz menção a aplicação de uma rastreabilidade online, impondo a responsabilidade de desenvolver tal sistema e tudo que lhe agrega de necessidades, aos produtores rurais. Falta ao proponente o conhecimento real das precárias condições atuais e até de insuficiência de infraestrutura de telefonia e internet, que os governos ainda não conseguiram suprir e que são fundamentais para que tal processo se mantenha”.

A entidade espera interlocução com o setor pecuário e afirma que “não se constrói um projeto de desenvolvimento para uma cadeia produtiva tão importante, que é a de pecuária, sozinho, sem diálogo com o segmento”. A Faeg assegura ter feito esforços para mostrar as implicações negativas do projeto, que tem reação contrária das entidades do setor e dos produtores. “Apesar disso, esse projeto ainda tramita na Assembleia Legislativa de Goiás. É importante que os produtores mobilizem e busquem apoio de seus deputados para a não aprovação do referido projeto”, diz a nota.

Portal Revista Safra, com informações da Faeg

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