Projetando o amanhã

Marcelo Barreto da Silva, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, coordenador do Programa Agro+: por uma agricultura mais sustentável

Temo que o brasileiro perca a esperança de construir uma grande nação. Esta falta de esperança reflete-se nos alvos que são traçados por diferentes setores da sociedade. Aprendi que projetos devem ser elevados a ponto de trazer motivação e possibilitar sua construção a curto, médio e longo prazos. Estabelecer boas metas é fundamental para ter uma jornada de sucesso. Ou mudamos nossa forma de pensar e planejar, ou retrocederemos. O mundo é dinâmico e crescer menos que a média dos nossos vizinhos e parceiros é regredir.

Colocar crianças na escola é uma tarefa básica. Universalizar o ensino fundamental e médio de qualidade é uma meta desafiante. A formação básica é condição para uma universidade e ensino técnico fortes. Para chegar a este alvo mais elevado, todas as crianças e adolescentes deveriam estar nas escolas bem aparelhadas e com professores devidamente qualificados e remunerados. Um dos fatores que ajudou a manter o desemprego no Brasil acima dos 12% é, justamente, a falta de mão de obra qualificada. Em momentos de crise, os menos qualificados são os que mais sofrem.

A previsão do FMI para o crescimento mundial de 2017 foi de 3,5%. A China teve previsão de crescimento de 6,8%, enquanto a projeção para o Brasil ficou em 1,0%. Em 2018 projetamos crescimento de 2,2%, enquanto o mundo deve crescer 3,7%! Esta taxa de crescimento não permite o salto necessário. Não seremos um país de miseráveis, mas continuaremos a ser um país de pobres. Temos condições de crescer igual à China, mas preferimos não resolver as questões internas e ficamos satisfeitos com crescimentos mínimos, insustentáveis, fora da competitividade mundial.

Nos últimos dois anos, milhões de pessoas tornaram-se mais pobres no Brasil, regredimos, enquanto o mundo cresceu. Uma política de investimento na infraestrutura de transporte, armazenagem e exportação é fundamental para o agronegócio. A indústria e o comércio precisam de reformas nas áreas trabalhista e tributária. É necessário estabelecer metas de crescimento arrojadas e ter coragem para identificar e solucionar os problemas. No caso do Brasil, “O Inimigo não Mora ao Lado”, está dentro de nós.

Dois projetos pífios permeiam o campo. A agricultura de subsistência e a exportação de commodities. A agricultura é uma atividade econômica e deve gerar renda e lucro. Sem lucratividade nenhum negócio se sustenta. Não há desenvolvimento! Uma agricultura que não gera renda será dependente dos governantes. Não suportará variações do mercado e do clima. Por outro lado, exportar commodities favorece a criação emprego no país importador. Agregar valor aos produtos agrícolas brasileiros é a melhor forma de gerar mais renda com o mesmo recurso disponível. É investir na indústria, na logística, no marketing e no próprio campo. A aproximação da indústria faz com que o campo se torne mais sustentável, reduz perdas e melhora as condições de compra e venda.

Nas três áreas fundamentais para o desenvolvimento, as projeções brasileiras para o futuro ainda estão aquém do necessário ou desejável: na educação, na economia e na agricultura. Isto sugere a necessidade de reavaliar o que projetamos para o amanhã. Uma mudança profunda na forma de pensar e prospectar se faz necessária para alcançarmos o desenvolvimento que desejamos. Pra frente e pra cima Brasil!

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