Arquivo/Vandréia de Paula

Clima dificulta trabalhos na lavoura

Essas chuvas, apesar de atrapalharem o pleno andamento da colheita e plantio, devem manter os solos com bons níveis de umidade, favorecendo o desenvolvimento das lavouras, principalmente as de segunda safra, bem como as lavouras de café e cana-de-açúcar

Se por um lado a chuva beneficiou alguns cultivos, como o algodão, o milho e a soja sofrem desde o mês passado. A oleaginosa teve a colheita prejudicada, inclusive em Goiás, devido às chuvas intensas. O que provocou atraso no plantio do milho. E as áreas de instabilidade ficaram ativas sobre a região central do Brasil nesta segunda-feira, 5, ganhando força ao longo do dia. Condição que pode perdurar até o fim da semana e avançar mês adentro, conforme preveem especialistas.

Ainda assim, as condições se manterão bastante favoráveis à realização dos trabalhos de campo, como colheita e plantio. Além disso, essas pancadas de chuva também possibilitarão a manutenção da umidade do solo e, consequentemente, boas condições ao desenvolvimento das lavouras. Entretanto, apesar de a previsão ser de um mês com chuvas relativamente boas e regulares para toda a faixa centro-norte do País, a janela ideal ao plantio do milho safrinha já terminou. Todas as áreas semeadas ao longo dessa semana já terão fortes reduções em seus potenciais produtivos por conta da diminuição de horas de brilho solar.

Já no Sul e em grande parte do Sudeste, a semana começa com forte calor, céu com muitas nuvens, mas com previsão para pancadas de chuva à tarde, já que essas linhas de instabilidade ganharão força ao longo do dia. Não se pode descartar a possibilidade de pancadões de chuvas. Os volumes poderão variar entre 10 milímetros e 50 milímetros, uma vez que a atmosfera apresenta altos índices de umidade.

A previsão é de que do meio para o fim desta semana a passagem de uma frente fria pelo Sul do Brasil deixe o tempo mais fechado e com chuvas a qualquer hora do dia em grande parte da região Sul e Sudeste, incluindo o sul do Mato Grosso do Sul. Essas chuvas, apesar de atrapalharem o pleno andamento da colheita e plantio, devem manter os solos com bons níveis de umidade, favorecendo o desenvolvimento das lavouras, principalmente as de segunda safra, bem como as lavouras de café e cana-de-açúcar.

A primeira quinzena de março será marcada por chuvas regulares e em bons volumes sobre todo o Brasil, sendo que os maiores volumes e até mesmo chuvas bem mais regulares e abrangentes serão observadas sobre a metade norte do País. Os altos volumes poderão atrapalhar e até mesmo inviabilizar os trabalhos de campo durante a semana que vem.

Na Argentina, a previsão é de chuva a partir desta sexta-feira, 9, entretanto, a probabilidade de que elas realmente ocorram no próximo final de semana é bem mais alta do que a de fevereiro. Isso porque, a corrente de jato está perdendo forças e migrando mais ao sul do Continente, dando passagem para que os corredores de umidade consigam retornar ao Sul do Continente e as frentes frias passem com mais frequência sobre essa região.

É nesse contexto que os preços do milho apresentam fortes altas nos mercados externo e interno. No cenário internacional, as cotações são impulsionadas especialmente por preocupações quanto ao clima na Argentina. No Brasil, muitos demandantes estão com baixos estoques e, com isso, precisam ceder nas negociações para conseguir comprar novos lotes do grão – esse cenário é verificado especialmente no mercado paulista.

Neste ambiente de alta, produtores/vendedores ofertam apenas pequenos lotes, dando prioridade aos negócios envolvendo a soja, que apresenta maior liquidez. Em fevereiro, o Indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq/USP)/BM&FBovespa avançou 19,6%, e entre 23 de fevereiro e 2 de março, 9%, fechando a R$ 40,06, a saca de 60 quilos na sexta-feira, 2.

Portal Revista Safra, com informações do Cepea/USP e Climatempo

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