Arquivo/Vandréia de Paula

Preço ao produtor de leite é o menor desde 2010

  Segundo pesquisadores, a desvalorização do leite no campo esteve atrelada à baixa demanda na ponta final da cadeia, que continua enfraquecida, e que, por isso, tem limitado os volumes de negociações entre indústrias e atacados/varejos

Contrariando as expectativas de agentes do setor, o preço do leite recebido por produtores em janeiro caiu 1,74% (ou 0,017 centavo por litro) frente ao mês anterior, chegando a R$ 0,9832 por litro na “média Brasil” líquida (que inclui preços sem frete e impostos da Bahia, Goiás, Minas, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. De acordo com pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade Federal de Goiás (Cepea/Esalq/USP), na comparação com janeiro de 2017, o recuo é de quase 20%, sendo a atual média a menor desde fevereiro de 2010, quando foi de R$ 0,9369 (valores deflacionados pelo IPCA de dez de 2017.

Houve diminuição nas médias de todos os estados acompanhados pelo Cepea – com exceção de Santa Catarina, que apresentou alta de 1,34% de dezembro para janeiro, devido ao menor volume captado. Dentre os estados, a maior queda foi observada em Minas Gerais, de 2,93%, seguida por Goiás (com baixa de 2,80%), São Paulo (-1,89%), Bahia (-1,79%), Paraná (-1,16%) e Rio Grande do Sul (-0,46%).

Segundo pesquisadores do Cepea, a desvalorização do leite no campo esteve atrelada à baixa demanda na ponta final da cadeia, que continua enfraquecida, e que, por isso, tem limitado os volumes de negociações entre indústrias e atacados/varejos. O consumo interno segue abalado pela perda do poder de compra do brasileiro em função do período de recessão econômica.

A demanda pela maioria dos lácteos é afetada mais do que proporcionalmente pela variação na renda da população. Além disso, o período de fim de ano e de férias escolares é, tipicamente, considerado uma época ruim para a comercialização de lácteos. Outro fator que também pressionou as cotações, de acordo com pesquisadores do Cepea, foi a alta da captação em muitos estados, em decorrência do maior volume de chuvas. O aumento na captação em dezembro frente ao mês anterior no Paraná foi de 5,86%, na Bahia, de 1,87%, em Minas Gerais, de 1,39% e, em São Paulo, de 0,51%.

Já em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás, a captação recuou 3,37%, 2,65% e 2,22%, respectivamente, em função do desestímulo do produtor diante das baixas cotações. Segundo colaboradores, muitos produtores já deixaram a atividade, enquanto outros têm aumentado o abate de vacas e investido menos na produção. Esses resultados levaram a um ligeiro aumento de 0,23% do Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L) de novembro para dezembro.

Agentes consultados pela pesquisa do Cepea consideram a situação do setor crítica, o que impõe difíceis desafios na gestão dos negócios, tanto para produtores quanto para indústrias. Ainda que os indicadores macroeconômicos mostrem a continuidade da recuperação econômica, a resposta do consumidor diante das gôndolas é lenta, o que tem dificultado a previsão do comportamento do mercado.

Para fevereiro, a maior parte dos agentes entrevistados pelo Cepea acredita em estabilidade nas cotações do produtor. Um dos fatos que fundamenta essa expectativa é o comportamento dos preços do leite UHT (como este é o lácteo mais consumido do País, há grande correlação com os preços praticados no campo). De acordo com as pesquisas do Cepea apoiadas financeiramente pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o preço do UHT negociado no atacado do estado de São Paulo registrou alta acumulada de 3,53% em janeiro. No entanto, a valorização do UHT não refletiu melhora da demanda, mas, sim, a tentativa de estabilizar o mercado e recuperar a margem perdida sobre os custos de produção das indústrias.

Cepea/Esalq/USP

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