Embrapa/João Maia

Pesquisadores identificam gene da uva sem semente

Em Goiás, a produção predominante é a de mesa, visando reforçar o abastecimento no mercado interno. Mas o potencial é grande, sobretudo para as variedades voltadas à produção de uvas para sucos e vinhos

Moacir Neto

Uva e calor combinam? Goiás mostra que sim. E os hectares destinados ao cultivo do fruto revelam que é possível obter mais lucros com a atividade. O início foi tímido, mas a cultura foi se consolidando no Estado e os últimos dados, atualizados em 2016, mostram que quase 300 produtores cultivam 600 hectares em 30 municípios. No sul goiano, Goiatuba se destaca. No sudoeste, Santa Helena. Anápolis, Aragoiânia, Bela Vista e Hidrolândia também seguem o mesmo rumo, seguidas de Itaberaí, no noroeste do Estado. E a pesquisa científica caminha rumo a novas descobertas, que podem possibilitar a produção de uva sem sementes por meio da biotecnologia.

Em Goiás, a produção predominante é a de mesa, visando reforçar o abastecimento no mercado interno. Mas o potencial é grande, sobretudo para as variedades voltadas à produção de uvas para sucos e vinhos. E a boa notícia é que os mecanismos genéticos e celulares que levam à formação ou ausência da semente na uva (apirenia) foram desvendados pela equipe do Laboratório de Genética Molecular Vegetal da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves (RS), em conjunto com cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O feito pode acelerar e subsidiar pesquisas para desenvolver uvas sem sementes, por meio do uso de técnicas de biotecnologia. Apesar da ampla apreciação das uvas de mesa sem sementes, que vem crescendo ano a ano, pouco se sabia sobre os mecanismos celulares e genéticos responsáveis pelo desenvolvimento delas. Os brasileiros identificaram o papel do gene VviAGL11 no desenvolvimento de sementes nas uvas. A descoberta foi registrada em artigo publicado no Journal of Experimental Botany,  editado pela Universidade de Oxford, Inglaterra.

O grupo liderado pelo pesquisador da Embrapa Luís Fernando Revers apresentou de forma inequívoca os resultados das pesquisas que desvendaram grande parte da biologia por trás da ausência de sementes de uvas de mesa, mostrando o papel principal do gene VviAGL11. “O artigo é bastante completo e descreve o gene, sua estrutura genética, a regulação de sua expressão e os efeitos de sua função na formação das sementes de videira”, informa, por meio de assessoria, Revers, que coordena o Laboratório de Genética Molecular Vegetal, na qual foram desenvolvidas partes importantes da pesquisa.

Com informações da Embrapa e Agrodefesa

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