Carlos Costa

Pesquisa inédita vai mapear a pecuária de corte

Enquanto especialistas buscam conhecer detalhes da pecuária de corte no País, o superintendente-regional do Banco do Brasil, José Carlos Vansconcelos, visitou a sede da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), em Minas, para anunciar um plano especial para produtores rurais em débito com a instituição financeira. A renegociação irá beneficiar cerca de 30 mil pequenos e médios pecuaristas

Moacir Neto, com agência

Apenas o estado de Goiás dispõe de 22,8 milhões de cabeças de gado. Em todo o Brasil, somente no sistema de confinamento, existem 4 milhões de cabeças, na média anual, estima a Associação Brasileira de Pecuária Intensiva (Assocon). E a expectativa do setor de confinamento é crescer mais. No ano passado, trabalhava-se com 5,5% de aumento, um número bastante animador para pecuaristas. Pensando na complexidade do setor pecuário como um todo, especialistas se debruçam sobre uma pesquisa inédita que vai caracterizar as prioridades da pecuária de corte no Brasil.

Disponibilizada para acesso público oficialmente a partir desta quinta-feira, 5, a enquete quer conhecer a opinião de produtores rurais, empresários, consultores, técnicos, pesquisadores, professores, estudantes e demais atores da cadeia sobre as principais demandas e problemas atuais do setor. A pesquisa tem por objetivo auxiliar no direcionamento de estratégias de pesquisa, transferência de tecnologia e divulgação de informações para os públicos de interesse. “Com a informação vinda dos próprios componentes da cadeia, poderemos ter uma visão ampla sobre essas demandas e problemas. Será possível definir metas de inovação e a partir de uma informação qualificada entender o que é prioritário”, explica o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Pecuária Sul/Bagé, RS), Vinícius Lampert.

Além dos dados para conhecer o perfil do entrevistado, a pesquisa navega por diversos temas que vão ajudar a contextualizar essas demandas, como saúde e bem-estar animal, nutrição animal e forrageiras, melhoramento animal, gestão e sistemas de produção e ciência e tecnologia da carne. Conforme Lampert, o setor produtivo está em constante mudança, demandando atenção e atualização sobre essas transformações no tempo e no espaço. “Nesse contexto, esse levantamento é para entender as demandas nesse momento, em 2018”, pontua. Além de uma visão geral das demandas, os resultados da pesquisa podem ser segmentados, gerando informações das prioridades por região, estado do País ou por perfil do participante.

A pesquisa vai ajudar a aprimorar o conhecimento a respeito de demandas tecnológicas em importantes áreas da pecuária de corte. Para o pesquisador da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS) Paulo Henrique Nogueira Biscola, quanto mais atores da cadeia preencherem com precisão as necessidades reais do setor, maior será a possibilidade de extrair informações qualificadas desses dados. “Com a participação de um número expressivo de pessoas será possível identificar as necessidades por perfil de respondentes a partir de variáveis geográficas e demográficas. Essa estratificação é importante para no futuro termos ações mais direcionadas a determinados territórios e públicos”, explica.

Conforme o pesquisador da Embrapa Gado de Corte Guilherme Cunha Malafaia, os resultados da pesquisa vão possibilitar uma melhor compreensão sobre os desafios tecnológicos do setor nos diferentes biomas brasileiros, permitindo “um olhar estratégico territorial para poder criar soluções tecnológicas em aderência com as reais necessidades geográficas”, completa.

Para o professor e coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Nespro/UFRGS), Júlio Barcellos, a pesquisa busca mostrar um retrato das principais tendências e necessidades do setor. “Isso não significa que não entendamos e não enxerguemos o que é necessário para potencializar a produção e a produtividade da pecuária de corte, mas é fundamental que aquilo que nós enxergamos seja confirmado pela opinião e pela participação dos envolvidos com a atividade. Essa resposta será muito importante e um grande direcionador das nossas ações futuras”, destaca.

A professora da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) Fernanda Garbin, ressalta a importância do estudo no País, onde a pecuária de corte tem grande repercussão na economia. “A Unipampa tem como uma de suas atribuições contribuir no desenvolvimento da região onde está inserida por meio do ensino, pesquisa e extensão. Nesse sentido, a pesquisa teve sua primeira versão desenvolvida e aplicada num contexto regional, sendo possível contribuir com aspectos metodológicos e treinar alunos de graduação do curso de Engenharia da Produção”, contextualiza. O levantamento é uma iniciativa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por das Unidades Embrapa Pecuária Sul e Embrapa Gado de Corte, Unipampa e NESPro/UFRGS.

Endividamento – Enquanto especialistas buscam conhecer detalhes da pecuária de corte no País, o superintendente-regional do Banco do Brasil, José Carlos Vansconcelos, visitou a sede da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), em Minas, para anunciar um plano especial para produtores rurais em débito com a instituição financeira. A renegociação das dívidas irá beneficiar cerca de 30 mil pequenos e médios pecuaristas.

“A gente conseguiu a prorrogação das dívidas vencidas em 2017 e vencidas e vincendas em 2018, sendo dois anos de prorrogação para a pecuária de corte e três anos para a pecuária de leite e mista”, comenta, por meio de assessoria. Ele também explicou que a renegociação está limitada a 70% e/ou 80% do valor total já vencido. Os juros serão os mesmos do contratado e o banco não exigirá laudo técnico individualizado. “Basta que o produtor interessado procure a agência do BB”, acrescenta.

O pedido para o estabelecimento do plano especial foi formalizado pela ABCZ por meio do diretor Rivaldo Machado Borges Júnior, que esteve em Brasília (DF) no dia 12 de março, em reunião com o diretor de Agronegócios do BB, Marco Túlio Moraes da Costa, e intercedeu pelos produtores que estão com dívidas atrasadas. “Pedimos a renegociação do valor para os pecuaristas que estão em débito neste último ano. Afinal, a classe sofreu com inúmeras ações contrárias e com preços muito baixos em 2017”, justificou, na época. Hoje, ele comemorou o anúncio: “A ABCZ está pensando além do zebu. Estamos pensando no produtor rural.”

Portal Revista Safra, com informações da Embrapa e ABCZ

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