Acrimat/Divulgação

Para todos os gostos e mercados

Acabamos de voltar do Congresso Mundial da Carne, realizado na cidade norte-americana de Dallas, no Texas. Foram 48 países participando atentamente das palestras e o foco das discussões foi exatamente no consumidor

Francisco Sales Manzi

Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) encerrou em junho mais uma etapa de um dos maiores eventos itinerantes da pecuária brasileira, o “Acrimat em Ação”. Os números são impressionantes, mais de 5 mil produtores e demais pessoas ligadas ao agronegócio participaram este ano nos 33 municípios selecionados estrategicamente e percorridos em cinco rotas. Ao todo, foram 12 mil quilômetros passando pelos 3 biomas mato-grossenses, Cerrado, Pantanal e Amazônia.

O tema escolhido nesta oitava edição anual foi “Do pasto ao prato: agregação de valor à pecuária de corte”. Marco Tulio Habib, diretor de marketing da Scot Consultoria, discorreu sobre os números da pecuária e apresentou aos participantes o aumento de eficiência na atividade, o que permitiu, só aqui em Mato Grosso, produzir 18% a mais de carne por hectare.

Mesmo cedendo 2 milhões de hectares de pastagem para lavoura, nosso rebanho passou de 25 milhões para cerca de 30 milhões de animais. Isto é, a nossa produtividade aumentou a ponto de dizer que, se utilizássemos as mesmas técnicas de lotação da década de 1990, para empastar os nossos mais de 30 milhões de cabeças de gado teríamos que ter desmatado mais 20 milhões de hectare, uma área quase do tamanho do Reino Unido e cinco vezes maior que a Holanda, país sede do Green Peace.

Mas os números de Mato Grosso não cresceram só em quantidade. Hoje, mais de 67% dos bois são abatidos antes dos 3 anos de idade, sendo que 15% são de animais de até 2 anos de idade, proporcionando aos consumidores carne mais macia e saborosa. O grande recado deixado pela palestra é que o foco tem que ser no consumidor da carne, que está cada vez mais exigente e preocupado com sanidade, sustentabilidade, bem-estar dos animais e em busca, é claro, da qualidade, maciez e sabor.

E essa preocupação não é só aqui no Brasil. Acabamos de voltar do Congresso Mundial da Carne, realizado na cidade norte-americana de Dallas, no Texas. Foram 48 países participando atentamente das palestras e o foco das discussões foi exatamente no consumidor. Em uma das apresentações, a gerente geral do departamento de carne da China, Masaia Shiraishi, se intitulou como o exemplo de uma família típica do seu país, que tem mais de 1,38 bilhão de pessoas. “Fui criada comendo carne… de frango e de porco. A carne bovina minha mãe servia muito esporadicamente, pois ela não sabe nem preparar” relatou.

E o grande diferencial do Brasil é que ele tem capacidade de produzir o que o consumidor quiser. Temos bois terminados a pasto, mas temos confinamentos também, dada a grande produção de grãos. Em melhoramento genético, os cruzamentos industriais permitem que as nossas matrizes zebuínas produzam meio sangue de todas as raças e o trabalho de seleção da raça nelore permitiu associar a sua tradicional rusticidade à grande capacidade de produção. Atualmente, os selecionadores dessa raça identificam tanto animais para produção de carne magra até aqueles com alto índice de marmoreio.

Com tecnologia, pesquisa e disponibilidade de insumos e pasto, estamos prontos para produzir o que o consumidor quiser comer e em qualquer lugar do mundo. O que vai querer hoje: um saboroso churrasco? Hambúrguer? Ou que tal uma almondega ou um macarrão à bolonhesa? Aqui o cliente sempre tem razão!

Francisco Sales Manzi é médico veterinário e diretor-técnico da Acrimat

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