O caminho da carne brasileira

Júlia Guerra, diretora de Agronegócios na JLT Specialty Brasil

A disputa comercial entre Estados Unidos e China deve favorecer as exportações da carne suína brasileira para os chineses. Pelo menos essa é a expectativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que acredita que o Brasil absorva parte do espaço que será aberto no mercado chinês após a alta para 25% da tarifa de importação da carne de porco dos Estados Unidos.

O embarque de gado vivo para a Arábia Saudita, suspenso desde 2002, pode ser retomado em breve. Uma missão da Arábia Saudita está no Brasil avaliando os controles sanitários oficiais para avaliar a retomada das exportações de boi vivo brasileiro para o país. O país está entre os 20 maiores importadores de produtos do agro brasileiro.

Tanto a retaliação chinesa à carne suína americana quanto a possibilidade de suspensão do embargo ao gado vivo brasileiro criam uma perspectiva positiva para as exportações brasileiras se forem observadas e cumpridas as boas práticas que englobam todas as etapas da cadeia agroindustrial da carne, segmento importante do agronegócio nacional.

Mercados exigentes cobram, além dos requisitos padrão como classificação e tipificação das carcaças e o cumprimento das normas dos órgãos reguladores, outros parâmetros de boas práticas agropecuárias, que devem ser incorporados no sistema produtivo para facilitar a importação de carne. Destacam-se a adoção de sistemas de gestão, boas práticas de produção e fabricação para garantir a segurança alimentar; práticas que garantam a sustentabilidade do sistema produtivo nos aspectos econômicos, sociais e ambientais; a correta suplementação nutricional do gado e o controle sanitário; abate humanitário dos animais por meio de métodos mais eficientes para insensibilização do gado e sistemas de produção que garantam o bem-estar dos animais, inclusive no transporte.

O transporte do gado para o abate caracteriza-se como uma etapa significativa na garantia da qualidade da carne. Condições de transporte desfavoráveis vão, na maioria das vezes, aumentar o estresse, influenciando no pH muscular após o abate, tão importante na coloração e maciez da carne.

Animais transportados por longas horas podem viver situações como privações de alimento e água, alta umidade e grande densidade por metro quadrado, o que tende a aumentar o estresse da carga viva. Casos mais sérios de transporte inadequado podem inclusive causar a morte do animal.

Manutenção, limpeza, inspeção, evitar superlotação desembarque imediato estão entre as medidas recomendadas para tornar o transporte do gado mais seguro e menos exposto ao risco.

O cumprimento de procedimentos e normas internacionais extrapolam as exigências burocráticas, garantem a qualidade da carne, protegem o investimento realizado ao longo da cadeia e preservam negócios.

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