Mudança cultural na compreensão dos riscos, do plantio até a comercialização

Álvaro Dabus, Diretor de Local Clients Marsh Brasil

Com o alto nível de investimento em tecnologia e a crescente diversificação nos últimos anos, a tradicional matéria-prima (a cana) usada na fabricação de açúcar, teve seu aproveitamento ampliado para produzir etanol e bioeletricidade – esta última que ganhará escala nos próximos anos. O setor passou por profundas alterações nos últimos 30 anos, e cada nova terminologia ao logo do tempo, definiu o perfil atual da indústria canavieira no país. A terminologia ‘Sucroenergético’ é hoje a que melhor traduz as novas tecnologias, inovações e o vigor da indústria. O setor entrou definitivamente no segmento da energia.

O RenovaBio, iniciativa do Ministério de Minas e Energia – em conjunto com o governo e todos os setores do agronegócio e a sociedade – que veio para estabelecer políticas de reconhecimento do papel de todos os tipos de biocombustíveis na matriz energética brasileira, entrou no campo para estimular a produção de biocombustíveis, tanto para a segurança energética, quanto para mitigação de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa. O RenovaBio assegura que o Brasil cumpra o compromisso assumido em acordos internacionais. Somos um dos principais países a confirmar participação no Acordo de Paris, em vigor desde novembro de 2017.

A importância mundial do setor sucroenergético atrai a atenção de grandes investidores e lideranças das empresas globais de açúcar e etanol. Com isso, há necessidade de uma mudança cultural na compreensão das exposições aos riscos, do plantio até a comercialização. A operação no agronegócio é complexa e há uma diversidade de imprevisibilidades operacionais, quebra de máquinas e equipamentos, volatilidade do câmbio, preço, risco financeiro, políticas regulatórias e, especialmente, mudanças climáticas. Aliás, os eventos climáticos extremos estão entre os riscos mais proeminentes e de maior impacto nos negócios nos próximos anos, de acordo com a mais recente edição do Relatório de Riscos Globais 2018, apresentado este ano pela Marsh & McLennan no World Economic Forum, em Davos na Suíça.

Como se vê, são riscos que exigem planejamentos sistematizados de seguros, resseguros e gerenciamento de risco. Estratégias robustas que se conectam com uma nova cultura de gestão de risco, agregam valor, preservam os investimentos e garantem a resiliência das empresas de toda a cadeia do Sucroenergético. Diante do cenário de oportunidades neste mercado, é necessário ter um plano estruturado de mitigação de risco para o sucesso dos novos projetos de forma geral (novas usinas greenfield, ampliação, modernização, investimentos em cogeração, entre outros projetos), desde as etapas da concepção e desenvolvimento até a implantação e operação.

O mercado segurador, que já acompanha a evolução e modernização do mercado Sucroenergético, já ajuda as empresas na quantificação do equilíbrio financeiro, entre investimentos realizados em prevenção, estimativa de perdas e custos de transferência e financiamento de riscos. Com uma grande base de dados com históricos de frequência de sinistros e perdas por tipo de indústria, fundamenta as decisões estratégicas de seguros e gestão de risco. São soluções que permitem administrar riscos que até então eram considerados não gerenciáveis. Além disso, evitam perdas financeiras.

Artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando necessariamente a opinião editorial do Portal Revista Safra

Publicidade

Publicidade