Samir Machado

Mais receitas e mais investimentos

 Numa amostragem que reúne as 36 maiores cooperativas agrícolas de Goiás, faturamento aumenta quase 20% com alta de 23% no investimento total 

Lauro Veiga Filho*

Elas movimentam, ano a ano, em torno de dois quintos de toda a produção goiana de grãos, abrigando 30.879 produtores na contagem mais recente do Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB-GO), referente a dezembro do ano passado, quando voltaram a crescer mesmo em meio à retração geral na economia. De um total de 73 cooperativas agropecuárias no Estado, de acordo com Daniel Cavalier, coordenador da Gerência de Desenvolvimento de Cooperativas da OCB-GO, a organização consolidou, neste ano, os números de 36 delas, entre as maiores do segmento, com uma produção estimada em 6,7 milhões de toneladas de grãos, principalmente soja, milho e sorgo, praticamente dois terços do volume originado por todo o sistema cooperativista em Goiás.

Nessa amostragem, a receita bruta registrou incremento na faixa de 20% na passagem de 2015 para 2016, saindo de qualquer coisa ao redor de R$ 5,0 bilhões para algo em torno de R$ 6,0 bilhões. O resultado líquido foi positivo, atingindo R$ 115,5 milhões, o que correspondeu a um retorno de praticamente 11% sobre o capital social integralizado ou a integralizar. Conforme Cavalier, foi o primeiro ano em que se realizou a medição das sobras no setor por isso ainda não há base para avaliar a evolução dos resultados, o que se tornará possível a partir deste ano.

Mas outros indicadores permitem aferir os avanços realizados no ano passado. Sempre em comparação com 2015, a geração de tributos em geral cresceu 15,3%, saindo de R$ 97,0 milhões para R$ 111,8 milhões em valores aproximados. O recolhimento do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cresceu ainda mais fortemente, num salto de 48,8%, para R$ 64,0 milhões, diante de R$ 43,0 milhões no ano anterior. Como referência, a arrecadação total do ICMS no Estado anotou variação de apenas 3,7% no período, passando de R$ 13,5 bilhões para R$ 14,0 bilhões. Responsáveis por quase metade dos empregos gerados no sistema como um todo, as cooperativas agropecuárias empregavam, no fechamento de 2016, um total de 5.296 pessoas, representando quase 6% do número de empregados com registro em carteira na agricultura (89,7 mil).

O capital social cresceu de R$ 947,0 milhões para R$ 1,047 bilhão, variando 10,6%. “O avanço na capitalização do setor”, conforme Cavalier, “reforça a capacidade do sistema de se manter e expandir sua capacidade com recursos próprios, ampliando a prestação de serviços aos produtores”. No ano passado, as cooperativas agropecuárias investiram perto de R$ 113,0 milhões, o que representou 22,8% a mais em relação aos R$ 92,0 milhões investidos em 2015. Desse total, os investimentos sociais, incluindo capacitação de pessoal, somaram R$ 9,3 milhões, o que se compara com os R$ 5,5 milhões do ano anterior, o que representou um salto de 69%.

Lucros aumentam 26,6% na Comigo 

Sozinha, a Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo) movimentou, no ano passado, em torno de 2,4 milhões de toneladas de grãos, correspondentes aproximadamente a 14% da produção total do Estado. Desse total, em torno de 72% foram de soja, somando perto de 1,72 milhão de toneladas ou 16,8% de toda a oleaginosa colhida em Goiás (10,25 milhões de toneladas em 2016), num poderio que é demonstrado ainda nos grandes indicadores de seu balanço anual da cooperativa, que abriga 7 mil associados.

As receitas líquidas apresentaram alta de quase 38% entre 2015 e 2016, avançando de R$ 2,615 bilhões para R$ 3,605 bilhões. “O aumento nos preços da soja (que responde, juntamente com seus derivados, por 58% do faturamento bruto da cooperativa) e o crescimento das vendas de insumos e rações impulsionaram as receitas”, afirma o presidente da Comigo, Antônio Chavaglia.

O custo operacional bruto cresceu em linha com as receitas, sofrendo elevação de 36,5% – de R$ 2,314 bilhões para R$ 3,160 bilhões em números arredondados. Mas os dispêndios operacionais complementares saltaram nada menos do que 77,4%, para R$ 339,62 milhões, impulsionados pelo resultado financeiro negativo de R$ 68,325 milhões. Para comparação, em 2015, o resultado financeiro líquido havia sido positivo em R$ 3,873 milhões.

Esses fatores limitaram o aumento das sobras, que ainda assim apresentaram evolução mais do que favorável, crescendo 26,6% sobre 2015, de R$ 105,43 milhões para R$ 133,49 milhões. O resultado antes de impostos, juros, depreciação e amortizações (mais conhecido pela sigla Ebitda) anotou igualmente forte incremento, saltando de R$ 174,16 milhões para R$ 245,82 milhões (ou seja, 41,1% a mais), o que levou a uma elevação da margem líquida (Ebitda sobre receita líquida) de 6,6% para 6,82%.

Neste ano, a queda nos preços da soja e do milho tenderá a limitar as receitas brutas, que deverão repetir os valores realizados no ano passado, quando alcançaram R$ 3,731 bilhões. “Como apenas 50% da soja colhida já foram vendidos (diante de um porcentual que chegou a 75% ou 80% na mesma época do ano passado), o mais provável é que a receita fique abaixo desse valor”, sugere Chavaglia.

A despeito da produção mais elevada, prossegue o presidente da Comigo, os resultados não tendem a ser mais elevados. Ao contrário, a expectativa é de sobras menores ao longo deste ano, o que deverá segurar os investimentos. Estes somaram R$ 20,0 milhões no ano passado, envolvendo a expansão da capacidade da unidade de produção de sementes de soja e a instalação em Rio Verde do novo armazém com capacidade para recepcionar 300 mil sacas de milho.

Neste ano, até o momento, está programado apenas o investimento de R$ 5,0 milhões em melhorias na fábrica de ração e outros R$ 5,0 milhões na instalação de uma loja da Comigo em Caçu, envolvendo a compra do terreno e a construção física da unidade. A cooperativa decidiu esperar antes de bater o martelo num investimento de R$ 15,0 milhões destinados a uma unidade de sal mineral em Jataí e tem adiado, já há dois anos, os projetos de construção de um armazém e de uma loja em Iporá, diante das incertezas na economia. 

* Colaboração para a Revista Safra

Reportagem publicada na edição de julho da Revista Safra.

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