Tânia Rêgo/Agência Brasil

IBGE diz que greve dos caminhoneiros deve afetar economia

No estado de Santa Catarina, a paralisação afeta intensamente 70% das indústrias do Estado, conforme reporta a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc)

A greve dos caminhoneiros, que chega ao décimo dia, deve afetar o Produto Interno Bruto (PIB), disseram hoje, 30, no Rio de Janeiro, pesquisadoras do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Elas divulgaram o indicador econômico referente ao primeiro trimestre do ano. No estado de Santa Catarina, a paralisação afeta intensamente 70% das indústrias do Estado, conforme reporta a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).

Gerente de contas nacionais trimestrais do IBGE, Claudia Dionísio disse que o impacto da greve começará a aparecer nas pesquisas conjunturais que serão divulgadas em junho. “Como é tudo interligado, sabemos que vai afetar um pouco de cada coisa. Mas, o quanto vai a gente tem que mensurar para saber. Vai afetar como um todo”, disse.

A coordenadora de contas nacionais, Rebeca Palis, também avaliou que o impacto deve se disseminar desde os preços até a atividade econômica. “Vai afetar a economia toda. E existe um efeito cadeia que, às vezes, não é imediato”, afirmou. A pesquisadora aponta que, logicamente, os números do comércio e do transporte de carga devem estar entre os mais impactados e prevê também reflexos no comércio exterior.

“A gente sabe que o comércio exterior vai ser afetado nas duas pontas, tanto na exportação quanto na importação”, finalizou. Em Santa Catarina, conforme o levantamento da Fiesc, no qual foram ouvidas 905 empresas, quase metade das companhias que participaram estimam prejuízos de pelo menos 20% do faturamento mensal.

Entre as grandes indústrias, 86% estão muito ou totalmente afetadas, sendo que 30% das empresas desse porte estão totalmente paralisadas. “Essa paralisação tem dois efeitos: um é imediato, que são as perdas. O Brasil deixou de exportar 1 bilhão de dólares. Só a agroindústria no País deixou de exportar 350 milhões de dólares, além de todas as consequências como o rompimento de contratos e a aplicação de penalidades ao exportador que atrasou a entrega. Um dos efeitos de longo prazo, e talvez o mais perverso, é a quebra da confiança porque o mundo está muito competitivo”, avalia o presidente da Fiesc, Glauco José Côrte. “É uma situação difícil que atinge duramente a indústria e a economia catarinense”, afirma.

O levantamento apontou ainda que 31% das empresas preveem somente férias coletivas, enquanto que 13% consideram a possibilidade de desligamentos de funcionários. Entre as empresas que responderam, 89% estimam a retomada das atividades num prazo de até 20 dias. No entanto, 6,5% consideram o prazo de 21 até 30 dias e 4,5% avaliam que levarão mais de um mês para normalizar a produção. Em relação aos segmentos industriais, consideram-se muito afetadas ou paralisadas as indústrias do setor agroalimentar (83%), bens de capital (82%), têxtil e confecção, celulose e papel (78%), produtos químicos e plásticos e automotivo (80%) e cerâmico (60%).

Em nota, alusiva à redução do preço do diesel, a Presidência da República reitera que o “governo do presidente Michel Temer tem compromisso com a saúde financeira da Petrobras, empresa que foi recuperada de grave crise nos últimos dois anos pela gestão Pedro Parente. As medidas anunciadas pelo governo para garantir a previsibilidade do preço do óleo diesel, que teve seu valor reduzido ao consumidor, preservaram, como continuaremos a preservar, a política de preços da Petrobras”.

Portal Revista Safra, com informações da Presidência da República, MB Comunicação e Agência Brasil

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