Arquivo/Carlos Costa

Exportações de carne bovina in natura começam a reagir

No ano passado, os embarques brasileiros surpreenderam, e esse cenário se deve especialmente às vendas a Hong Kong e à China. De 2016 para 2017, houve aumento na participação destas regiões asiáticas no total embarcado pelo Brasil

Moacir Neto

Passado o período de incertezas e também de desdobramentos da Operação Carne Fraca do ano passado, as exportações de carne bovina in natura começam a esboçar reação. Em janeiro deste ano, o volume embarcado de 99,5 mil toneladas e a receita em dólar (US$ 425,82 milhões) foram considerados os mais elevados desde 2014. Os resultados são animadores, mas ainda há gargalos a ser vencidos, como o impedimento de embarque de gado vivo sobretudo à Turquia, o principal comprador.

Dados obtidos junto à Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, ainda que a quantidade embarcada tenha caído 8,3% frente à de dezembro, subiu 14,22% em relação à de janeiro do ano passado. Os números são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq/USP).

No ano passado, os embarques brasileiros surpreenderam, e esse cenário se deve especialmente às vendas a Hong Kong e à China. De 2016 para 2017, houve aumento na participação destas regiões asiáticas no total embarcado pelo Brasil, o que, segundo pesquisadores do Cepea/USP, pode ser um alerta, visto que mostra a dependência de dois grandes compradores e, portanto, a necessidade de o País diversificar as vendas externas de carne bovina.

Do total embarcado pelo Brasil no ano passado, 38,3% tiveram como destino Hong Kong e China. Os dois, juntos, foram responsáveis por 37,6% da receita arrecadada pelo Brasil em 2017. Em 2016, Hong Kong e China representavam 33,4% do volume embarcado e 32% da receita.

Em relação à exportação de animais vivos, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) quer impedir o bloqueio de novos embarques de gado vivo no País para evitar prejuízos aos pecuaristas brasileiros. Na segunda-feira, 5, a entidade protocolou pedido de assistência na Justiça Federal de São Paulo para fazer parte da ação que determinou na sexta-feira, 2, a suspensão das exportações de gado vivo em todo o território nacional.

Com a iniciativa, a CNA terá oportunidade de se manifestar e subsidiar tecnicamente as decisões do Poder Judiciário, defendendo a segurança jurídica de um setor que tem contribuído fortemente para a balança comercial e a recuperação econômica do País. No domingo, 4, o Tribunal Regional Federal da 3º Região (TRF-3) acatou liminar da Advocacia Geral da União (AGU) para liberar o embarque de um navio com animais vivos pelo Porto de Santos (SP) com destino à Turquia, principal comprador de gado vivo do Brasil. Contudo, como a liberação foi pontual, segue mantido o impedimento à exportação de animais vivos para abate no exterior em todo o território nacional.

As exportações brasileiras de gados vivos, exceto reprodutores, cresceram mais de 40% em 2017 na comparação com 2016, atingindo receita de US$ 269,57 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Portal Revista Safra, com informações do Cepea/USP e CNA

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