Arquivo/CNA

Especialistas recomendam cautela a produtores de soja

Os mercados internacionais observam a oferta global de soja de forma estável. Nas últimas semanas, o preço da oleaginosa e as estimativas de produção se mantiveram no mesmo patamar do ano anterior. No Brasil, a expectativa é que sejam colhidas algo em torno de 111 milhões de toneladas do grão

Moacir Neto

Novamente, a chuva complicou a vida dos sojicultores goianos. Até o momento, a colheita atingiu apenas 35% da área. Pouco, na comparação com os números da safra anterior, em igual período, quando mais de 50% de área fora colhida. Desde o início do mês, o preço da soja ofertada subiu 6% em Goiás, passando de R$ 60 para R$ 65, a saca. O cenário para a commodity é de poucas alterações na atual safra. Mas o perigo está em não acompanhar o humor do mercado, sob pena de perdas de rentabilidade acima do previsto, dizem especialistas. Os números são do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag).

Mesmo com relativa estabilidade, especialistas alertam para que o produtor mantenha sua atenção voltada ao mercado, evitando que períodos de volatilidade interfiram na rentabilidade das lavouras de soja no País. Para o vice-presidente do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), Leonardo Sologuren, o agricultor deve estar atento às relações de troca. “Sabemos que o planejamento é fundamental para que o produtor tenha bons resultados. Realizar a conta de quantos sacos de soja ele precisa atualmente para comprar insumos para a próxima safra é fundamental para manter o equilíbrio das contas”, explica, por meio de assessoria.

Os mercados internacionais observam a oferta global de soja de forma estável. Nas últimas semanas, o preço da oleaginosa e as estimativas de produção se mantiveram no mesmo patamar do ano anterior. No Brasil, a expectativa é que sejam colhidas algo em torno de 111 milhões de toneladas do grão, conforme estima a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o que representa uma safra ligeiramente menor do que a anterior, cerca de 1%. Entre os fatores que influenciaram essa pequena queda, está o clima, que em alguns estados fez com que o plantio e a colheita sofressem atrasos. E também interferiu no manejo, sobretudo na hora de aplicar defensivos contra a ferrugem-asiática da soja.

Já o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq/USP), afirma que apenas choques mais expressivos de oferta global podem impactar mais seriamente as cotações no decorrer deste ano. Em outro cenário, as exportações brasileiras devem crescer mais de 3,5%, e chegar a cerca de 65,5 milhões de toneladas nesta temporada. Isso pode ser reflexo da revisão para baixo do Departamento de Agricultura dos Estados (USDA, na sigla em inglês), sobre a expectativa de exportação local de soja, o que eleva a expectativa de estoques finais da safra 2017/2018.

Mesmo com o cenário estável o produtor pode acompanhar de perto as variações cambiais e as taxas de juros nos Estados Unidos. “Se a moeda americana valorizar, a soja brasileira pode ficar mais competitiva, mesmo que ligeiramente. Isso pode representar ganhos em contratos de venda para o produtor brasileiro. Sempre existe a possibilidade de, ao invés de vender a soja em maio, realizar o rendimento em junho”, comenta Sologuren, que é agrônomo com mestrado em economia.

O cenário político atual do Brasil, que tem eleições em outubro, precisa ser acompanhado de perto pelos produtores. “Apesar do aparente descolamento entre política e economia, o produtor quer saber a direção que o País vai tomar com o pleito, realizado no segundo semestre, já que isso pode determinar políticas econômicas para a diminuição de gargalos, como armazenagem e infraestrutura para escoamento da safra.”

Portal Revista Safra, com informações da Ifag, Pg1 e Conab

Publicidade

Publicidade