Arquivo/Vandréia de Paula

Entidades criticam suspensão da exportação de animais vivos

Na visão do Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecuária (Fonesa), a decisão de bloquear o transporte dos animais que estava programado gera mais problemas ao gado e afeta a imagem do País como um todo. Decisão é da Justiça Federal de São Paulo

Moacir Neto

Primeiro foi o fechamento temporário do Cais do Saboó, do Porto de Santos, para o embarque de animais vivos. A decisão atendeu pedido do deputado federal Ricardo Izar (PP-SP). Agora, vem a decisão da Justiça Federal de São Paulo de suspender a exportação de animais vivos em todo o País. A notícia surpreendeu entidades ligadas a pecuaristas, que rechaçam a medida. Fortes críticas foram desferidas nesta semana como reflexo da decisão, que pode afetar gravemente o setor.

A decisão gerou um impasse sobre a situação de um navio que está atracado no Porto de Santos e tem 25 mil cabeças de gado embarcadas para exportação à Turquia. A embarcação não está autorizada a deixar o porto. Na visão do Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecuária (Fonesa), a decisão de bloquear o transporte dos animais que estava programado gera mais problemas ao gado e afeta a imagem do País como um todo.

“Apelamos às autoridades competentes para que o bom senso, a legalidade e o conhecimento científico voltem a ser os balizadores de decisões, com urgência, nessa matéria, pois prejuízos totalmente desnecessários e sofrimentos inimagináveis estão sendo impingidos a pessoas e animais, enquanto as medidas legais, com base técnica e de competência não forem adotadas”, disse, por meio de assessoria, o presidente da Fonesa, Inácio Afonso Kroetz.

Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) “é inadmissível assistirmos de braços cruzados tamanha injustiça. Sem dúvida, este é um grande entrave que traz insegurança a toda classe produtiva, que coloca alimento na mesa dos brasileiros e sustenta economicamente este País”, diz a nota encaminhada à imprensa.

Outra entidade a se manifestar foi a Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg). Segundo a associação, “as decisões judiciais que proibiram o embarque de animais vivos no Porto de Santos, exaradas sem a oitiva de todos envolvidos e com forte conteúdo emocional, revelam antes de tudo um profundo desconhecimento do que representa o setor de exportação de gado vivo para o Brasil e sobre quais premissas está estruturado”.

Ainda de acordo com a entidade, o setor de exportação de gado vivo no Brasil apresenta bons resultados para agropecuária brasileira. A Abeg afirma que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) atua em todas as fases do processo, da certificação dos estabelecimentos de pré-embarque, como fiscaliza toda a operação, inclusive transporte dos animais até o ponto de egresso, por meio de Auditores Fiscais Agropecuários com formação em medicina veterinária.

Para a Sociedade Rural Brasileira (SRB), o País segue uma das legislações de sanidade e bem-estar animal mais rígidas do mundo, acessando mercados altamente exigentes, como o asiático e o europeu. “A SRB lamenta a decisão, prejudicial ao princípio da livre iniciativa e ao desenvolvimento do Brasil”, diz a entidade em nota.

Portal Revista Safra, com informações de assessoria

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