Contra o risco, estratégia

Júlia Guerra diretora de Agronegócios na JLT Brasil 

A falta de chuva e o tempo extremamente seco tem afetado muitas lavouras. No interior do Estado de São Paulo, o Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) registrou 165 queimadas em setembro, superando a média dos últimos anos. O desequilíbrio no plantio para a safra de grãos, em conjunto com o clima seco e os incêndios, também castigaram as pastagens em Goiás, Tocantins e Mato Grosso.

A condições climáticas deste ano estão menos estáveis em relação ao mesmo período de 2016 como já foi noticiado, o que exige cuidados redobrados com o manejo e a aplicação de estratégias que diluam os riscos de perda. O setor agrícola possui uma relação orgânica com fatores incontroláveis, como as variações climáticas que a cada ano ficam mais severas. Para enfrentar esse desafio é fundamental pensar estrategicamente em mecanismos de mitigação e transferência dos riscos climáticos.

O seguro é uma das alternativas para se transferir uma parcela do risco no Agronegócio, como está sendo observado no Rio Grande do Sul, onde a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS) registrou um aumento significativo no número de produtores rurais que acionaram o seguro devido às perdas em lavouras, resultado tanto da seca quanto dos fungos provocados pela chuva de granizo.

Em uma indústria volátil como o agronegócio a gestão de riscos deve ser avaliada de maneira integrada e considerar todos os elos da cadeia e não apenas a produção agrícola. O risco ambiental, por exemplo, é inerente ao agronegócio. A exposição das empresas pela manipulação de defensivos, resíduos, cargas perigosas podem gerar fatores de risco como explosão, vazamento, derramamento e incêndio. O seguro ambiental possui coberturas que são exclusões clássicas do clausulado padrão do seguro patrimonial e podem ser estratégicos para as empresas, como no exemplo de uma queimada que afeta uma reserva ambiental, diminuindo a fertilidade do solo.

De acordo com relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), nas últimas décadas, um quarto dos danos causados por desastres ambientais no mundo impactou diretamente o agronegócio. No Brasil, a perda média anual do setor relacionada a riscos ambientais é da ordem de R$ 11 bilhões, segundo Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). E apenas 15% da área plantada brasileira é segurada, de acordo com estimativas do mercado.

Dada a importância da agricultura para a economia brasileira, os fatores climáticos devem ser observados de forma sistemática por órgãos públicos, pois geram influência direta nesse setor. Já as empresas e os produtores necessitam considerar todas as possibilidades de transferência de risco, inclusive os de seca, queimadas, excesso de chuva ou até mesmo redução na produtividade.

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