Cleverson Beje/Faep

Chuva altera calendários da soja e milho

Ainda assim, o Brasil deve repetir a safra passada de soja e algodão. Mas a preocupação está com a cultura do milho, devido ao atraso no plantio. Outros temas, como o fator Argentina, a demanda do mercado externo e investimentos em tecnologia fazem com que as previsões para as safras de soja e algodão brasileiras 2017/2018 sejam positivas

No Rio Grande do Sul, onde será realizada a 19ª Expodireto Cotrijal, a quinta-feira, 1º, foi marcada pelo aumento da nebulosidade e houve chuvas mais expressivas, com registro de temporais, rajadas de vento e também queda de granizo em pontos específicos. Em algumas regiões, os volumes de chuvas superaram os 35 milímetros. Comportamento típico de verão, com as chuvas alterando a safra neste ano, sobretudo nas culturas de soja e milho. Ainda assim, o Brasil deve repetir a safra passada de soja e algodão. Mas a preocupação está com o milho, devido ao atraso no plantio. Outros temas, como o fator Argentina, a demanda do mercado externo e investimentos em tecnologia fazem com que as previsões para as safras de soja e algodão brasileiras 2017/2018 sejam positivas.

As considerações foram feitas pelo CEO da Agroconsult, André Pessôa, durante o 7º Encontro de Previsão da Safra das associações nacionais dos Exportadores de Cereais (Anec) e de Algodão (Anea), realizado na tarde desta quinta-feira, 1º, em Cuiabá (MT). “Há uma previsão de redução da safra de soja na Argentina, algo em torno de 50 milhões de toneladas. Isso eleva a procura pela soja brasileira”, argumenta Pessôa, referindo-se ao fator Argentina. Paralelamente, a produção brasileira deve manter-se nos mesmos patamares do ciclo 2016/2017, com uma tendência leve de crescimento.

“Pelos dados previamente coletados no Rally da Safra [evento promovido pela Agroconsult], o País deve chegar a 117,5 milhões de toneladas da oleaginosa e a 32 milhões em Mato Grosso – no estado, a produtividade média deve chegar a 56 sacas por hectare, contra as 55,5 da safra passada”, aponta o especialista. Já a preocupação com a safra do milho se deve ao atraso na colheita da soja que antecede o cereal. “As chuvas tardias atrasaram o plantio do milho e nem todos os produtores conseguiram plantar o milho na janela ideal. E o milho plantado a partir de março corre mais riscos de faltar chuva”, diz.

Com isso, o produtor pisa no freio e investe menos em insumos e nível tecnológico, o que aponta para uma produtividade menor. “Mas, no ano passado, a produção foi recorde”, pondera o CEO da Agroconsult, ao considerar uma redução de cerca de 2% a 3% da área plantada, chegando a 25 milhões de toneladas. A produção 2016/2017 foi de 29 milhões de toneladas.

Para o algodão, a previsão é de recorde no Estado de Mato Grosso, mas não no Brasil. “O País já plantou 1,45 milhão de toneladas na safra de 2010/2011 – quando bateu o recorde – e este ano deve plantar 1,33 milhão de toneladas. Percebemos um crescimento da recuperação na área de algodão devido à rentabilidade”, afirma Pessôa, ao apontar bons preços conquistados no mercado internacional.

“Os produtores mudaram pacotes de tecnologias de produtividade e houve um crescimento de 20% da safra 2016/2017 comparada à safra anterior. Já para a safra 2017/2018, o cenário positivo deve permanecer, boa parte do que está sendo plantado agora já foi vendido a bons preços. E se a produtividade se repetir haverá novo impulso e ampliará a área. Se a tendência continuar em dois ou três anos, repetiremos a safra recorde de 2010/2011”, pontua.

Portal Revista Safra, com informações da ZF Press Assessoria

Publicidade

Publicidade