Celeridade

Marcelo Barreto da Silva, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, coordenador do Programa Agro+: por uma agricultura mais sustentável 

Vivemos na época da celeridade. O mundo todo está em movimento e competição faz parte deste movimento. Há uma competição instalada em todos os lugares, seja entre indivíduos, corporações, cidades, estados ou nações. Por isso criam-se processos mais ágeis, computadores com maior velocidade de processamento, veículos mais velozes, vias expressas e processos mais rápidos. Ou acompanhamos o ritmo ou ficamos para trás.

O agronegócio brasileiro ganha competitividade no campo e a perde “fora da porteira”. O agro brasileiro cresce mais rápido e mais constantemente que nosso País. É o ponto fora da curva. Uma economia que precisa acompanhar o crescimento global, despreza frequentemente sua principal mola propulsora. Perdemos competitividade, perdemos recursos, perdemos posições na escalada do desenvolvimento e perdemos muito dinheiro.

Precisamos aumentar a capacidade de armazenamento de grãos. É triste ver, diante das celebradas supersafras, grãos armazenados ao ar livre e armazéns improvisados. Acabamos considerando a produção de álcool a partir do milho como uma boa alternativa. A questão é: para quem é uma boa alternativa? Para o produtor? Para o País? Para o meio ambiente? Gerar energia a partir de uma fonte menos eficiente que a cana, passa a ser viável quando perdeu-se competitividade para dar outros destinos mais nobres ao milho.

Precisamos acelerar a velocidade de escoamento de nossa produção. Transporte lento é caro! Tempo continua valendo dinheiro e oportunidades no mundo corporativo. As estradas brasileiras estão cada vez mais lentas, seja por causa dos congestionamentos, radares, quebra-molas, buracos, movimentos sociais ou, simplesmente, por serem mal planejadas. Nossos governantes, assim como boa parte da população, ainda acham que conter a velocidade nas estradas é a melhor forma de reduzir acidentes. Infelizmente, para nós, nos países desenvolvidos a receita para diminuir acidentes é o bom investimento na quantidade e qualidade das estradas. Mais uma vez perdemos celeridade, segurança e competitividade.

Precisamos agilizar nossos processos burocráticos. Durante uma viagem de carro, tivemos que fazer um pequeno reparo. Uma vez na oficina, foram necessários quinze minutos para resolver o problema e quarente a cinco para receber a nota fiscal! As filas se formam na hora de pagar nos supermercados, nas lojas, nos postos de combustível, nos pedágios… Isto para não falar nos portos e aeroportos. Ainda achamos que burocracia gera segurança e controle. Pena para nós, pois os países desenvolvidos preferem agilizar e simplificar os processos. Neste caso, são gerados outros instrumentos de controle como auditorias, responsabilização dos infratores bem como segurança e celeridade jurídica.

Nosso País precisa voltar a discutir as verdadeiras causas de seus problemas. É preciso primeiro identificar e caracterizar o problema, depois discutir e pesquisar as melhores soluções. Em seguida, implementar as ações resolutivas propostas. Mas parece que ainda preferimos discutir pessoas em lugar de processos, ganhos pessoais ao invés do bem comum, gastos ao invés de gestão, o efeito em lugar das causas. Enquanto não sabemos para onde ir, caminhamos velozmente para onde não queremos chegar.

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