Marcus Vinicius/Arquivo

Avicultura goiana sente reflexos da paralisação dos caminhoneiros

A avicultura é o segmento do setor produtivo mais sensível a esta paralisação, os pintinhos, a partir de um dia de vida, são criados em regime fechado em grande escala, dependem de transportes especializados em todos os elos da cadeia produtiva

Começam a chegar as informações da desobstrução das rodovias do País, ainda assim o cenário é de incerteza para os próximos dias. A preocupação, no momento, é com a normalização do abastecimento. Entidades, como a Associação Goiana de Avicultura (AGA), que há 40 anos organiza os setores produtivos de aves e ovos no estado de Goiás, lamenta e repudia severamente a atitude de muitos “manifestantes”, ou seja, supostos infiltrados no movimento dos caminhoneiros.

Segundo a entidade, eles estão sequestrando das rodovias e mantendo presos em seus movimentos caminhões e pessoas de bem, os “verdadeiros caminhoneiros” que querem trabalhar e que carregam a produção do País. “O movimento, que se intitulou pacífico, demonstra que não é. Além de descumprir o acordo com o governo, descumprem as leis, as liminares e desafia os poderes constituídos e as instituições”, diz a nota da entidade.

A avicultura é o segmento do setor produtivo mais sensível a esta paralisação, os pintinhos, a partir de um dia de vida, são criados em regime fechado em grande escala, dependem de transportes especializados em todos os elos da cadeia produtiva, desde o milho e o farelo de soja levados do campo às fábricas de rações, passando pelos ovos, pintinhos, gás, lenha e cavaco usados no aquecimento dos animais. “As rações, frangos vivos, embalagens específicas, até os produtos congelados, que passam pelos centros de distribuição e seguem para abastecer os pontos de vendas são prejudicados.”

O setor movimenta diariamente em Goiás cerca de 4 mil caminhões, é o principal gerador de empregos do setor produtivo goiano. Nas agroindústrias são gerados 20 mil empregos diretos, além de outros 80 mil empregos na cadeia produtiva como um todo. Em Goiás, diariamente, nascem mais de 1,5 milhão de pintinhos. “Agora, milhões deles, inclusive os que têm apenas um dia de vida, sofrem com fome e frio, eles estão sendo submetidos ao sofrimento gradativo até a inevitável morte”, reforça a AGA.

Neste momento, “todas as empresas do setor de avicultura de Goiás passam por um colapso produtivo com seus frigoríficos parados, acumulando nas granjas excesso de frangos em condições inadequadas, impedindo o alojamento dos pintinhos que estão nascendo. Mais do que isso, duas associadas, em Nova Veneza e em Anápolis, fecharam, desempregando centenas de trabalhadores”.

Portal Revista Safra, com informações da AGA

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