Mapa/Divulgação

Plano prevê retirar vacina a partir do ano que vem

“Entendemos que esse plano deve existir, pois o País poderá participar de novos mercados e, com isso, será possível valorizar a produção da carne, recebendo uma remuneração melhor", diz o presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), Alberto Pessina

Moacir Neto, com Mapa e agências

Até 2023 a vacina contra a aftosa deve ser eliminada no País. Para isso, um programa elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) junto com produtores prevê a adoção da medida, iniciando a retirada da vacina contra aftosa já a partir do ano que vem. “Temos esse cronograma definido em função do fluxo de animais, porque uma vez declarado o estado como zona livre, não é possível transitar mais por ele com animais procedentes de outro com situação diversa. E também há atuação nas fronteiras, desde a Argentina, Paraguai, Bolívia, Venezuela, países com os quais há um programa conjunto”, lembra o ministro Blairo Maggi (Agricultura).

Em meio à greve dos caminhoneiros, movimento que afetou o abastecimento no País, Maggi recebeu (na última quinta-feira, 24), em Paris (França), durante a 86ª reunião da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) o certificado que confere ao Brasil o status de livre da febre aftosa com vacinação. A nova condição sanitária, agora estendida a todos os estados, além de Santa Catarina (considerada livre sem vacinação), foi comemorada pelo ministro que destacou esforços do governo e da inciativa privada e perspectiva de ampliação de mercados para as carnes bovina e suína.

“O Brasil vem numa luta, em um programa de mais de 60 anos para erradicar essa doença e, nos últimos anos, fez um esforço muito grande para finalmente resolver o problema”, afirmou. “E, a partir desse reconhecimento, o Brasil tem novo status no mercado mundial e poderá acessar mercados que ainda estão fechados”. Ele destacou tipos de carne que passarão a ser negociados, principalmente, com países asiáticos, entre eles, China e Japão. “Não era possível, até agora, por exemplo, exportar para a China carne que contém osso.”

“E há o efeito colateral, que são as exportações de carne suína. Se você não tem o País livre, o mercado não aceita a carne suína. Temos um estado na federação que é livre sem vacinação, então, esse podia exportar por exemplo, para o Japão, para Coreia e outros mercados. Em resumo, mudas o status e ao mudar, você tem mais gente para conversar, mais países para comercializar”, disse Maggi.

Com olhar atento ao setor, o presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), Alberto Pessina, lembra que a entidade, responsável por defender os interesses da pecuária intensiva, apoia o plano de eliminação da vacina contra a aftosa até 2023, sob um olhar prioritário para a questão da segurança, acompanhando cada fase do plano que vem sendo cumprida. “Entendemos que esse plano deve existir, pois o País poderá participar de novos mercados e, com isso, será possível valorizar a produção da carne, recebendo uma remuneração melhor e podendo comercializar os produtos brasileiros para outros países que atualmente não são alcançados. É um plano interessante, que vai ocorrer por etapas e iniciará pelas regiões que não tiveram registros, nem fronteiras com regiões de febre aftosa”, lembra Pessina, que conversou por e-mail com a reportagem da Safra, na manhã desta segunda-feira, 28.

Representação – O ministro Blairo Maggi viajou para a reunião da OIE acompanhado de representantes do setor agropecuário, de parlamentares, dos secretários de Defesa Agropecuária do Mapa, Luís Rangel, e de Relações Internacionais do Agronegócio, Odilson Ribeiro e Silva, além do diretor do Departamento de Saúde Animal e presidente da Comissão Sul-Americana para a Luta Contra a Febre Aftosa (Cosalfa), Guilherme Marques.

Portal Revista Safra, com informações do Mapa e da Texto Comunicação Corporativa

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