Divulgação/Fambras

Alimento Halal: muito mais do que uma questão religiosa

Para exportar para os países muçulmanos, os frigoríficos brasileiros precisam realizar o abate Halal, sendo certificados por uma empresa reconhecida internacionalmente como apta para implantar o sistema, treinar, fornecer a mão de obra especializada e fiscalizar todo o processo realizado, com rastreamento rigoroso dos produtos

Mohamed Hussein El Zoghbi

O Brasil é o maior exportador de proteína animal do mundo. Carne bovina e aves são os produtos em que o País se destaca, tendo uma clientela mundial bastante pulverizada. Um dos mais importantes mercados consumidores da proteína animal brasileira é o dos países com predominância do Islamismo. A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira divulgou que o Brasil tem 90% dos seus frigoríficos habilitados para produzir proteína animal Halal e seus derivados. O País já figura como o maior exportador de carne para o mundo islâmico – apenas bovina e de frango, já que o consumo de suínos é proibido pelo Islam. O volume da carne brasileira, ainda segundo a Câmara Árabe, entretanto, alcança apenas 20% da população muçulmana no mundo, de cerca de 1,8 bilhão de pessoas – o que significa que é um mercado potencial, que pode ser muito explorado pela indústria brasileira.

Para exportar para os países muçulmanos, os frigoríficos brasileiros precisam realizar o abate Halal, sendo certificados por uma empresa reconhecida internacionalmente como apta para implantar o sistema, treinar, fornecer a mão de obra especializada e fiscalizar todo o processo realizado, com rastreamento rigoroso dos produtos. A primeira certificadora Halal brasileira é a Fambras Halal, que opera desde 1979. Ela é responsável pela certificação de marcas como Sadia, Seara, Perdigão, JBS, Estrela, Redentor, Mafripar, Mondelli, Frigol, Ferrero, Nestlé, Quatá, Piracanjuba, Batavo, Nescafé, Ajinomoto, entre muitas outras.

Halal, porém, é muito mais do que o abate em si. É um conceito que beneficia toda a humanidade. O conceito Halal significa “lícito”, também traduzido como permitido. Engana-se quem acredita que o conceito limita-se à degola de um animal, Halal é muito mais do que isso. Trata-se de um padrão ético e moral de ações lícitas no ambiente social, na conduta, na Justiça, nas vestimentas, nas finanças e na alimentação.

As empresas que praticam o conceito Halal utilizam matérias-primas, insumos e auxiliares de processo 100% Halal, ou seja, completamente lícito à religião islâmica; fabricam alimentos e produtos que não afetam a saúde humana; respeitam as boas práticas de fabricação em seus processos fabris; introduzem a Análise de Pontos de Perigo de Controle Crítico (APPCC e HACCP) em seus processos fabris; manejam de forma equilibrada o solo e demais recursos naturais; não se utilizam de mão de obra escrava e infantil; respeitam os níveis de agrotóxicos determinados pela legislação; abatem os animais com humanismo e respeito, seguindo as leis islâmicas; transferem informações com transparência; praticam uma conduta comercial correta e justa em suas negociações; destinam parte de seus lucros a benefícios sociais e ao meio ambiente (empresa cidadã).

Um alimento Halal precisa estar livre de carne de porco e seus derivados (insumos e ingredientes), como, por exemplo, colágeno, sangue, enzimas, pelos, ossos e gordura e livres de impurezas ou de elementos venenosos, intoxicantes ou perigosos à saúde. Também não faz parte da alimentação dos muçulmanos qualquer tipo de sangue, animais repulsivos (como insetos e vermes), anfíbios e animais que tenham sido mortos de forma violenta.

É importante ressaltar que, em todo o mundo, percebe-se claramente uma tendência de consumidores não-muçulmanos buscando produtos Halal por desejarem a segurança que eles oferecem – raciocínio que faz todo o sentido. Os produtos Halal exigem das indústrias a implantação de uma série de padrões e controles de qualidade, como o controle dos insumos, do nível de agrotóxicos, da manipulação dos alimentos, da rastreabilidade, entre outras medidas. São parâmetros bastante diferentes e bem mais rigorosos do que os adotados na indústria comum e que garantem mais segurança aos produtos alimentícios. Em se tratando da proteína animal, além de tudo, há a certeza de que não existiu o sofrimento do animal e que o método do abate foi o mais ético e correto existente. Por tudo isso, o alimento Halal extrapola as questões religiosas, tornando-se adequado ao consumo humano, mais seguro e saudável. É uma tendência de consumo que cresce e, certamente, torna-se lucrativa para produtores que nela investem.

Mohamed Hussein El Zoghbi é diretor-executivo da Fambras Halal, a primeira e maior certificadora Halal do Brasil

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