Agroindústria impulsiona PIB do agro

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mesmo com a safra brasileira de grãos diminuindo 2,1% em 2018 frente ao ano anterior, ainda será a segunda maior da história

Mesmo antes da paralisação dos caminhoneiros, os setores de aves, suínos e leite já passavam por dificuldades. E, conforme especialistas, podem ter sido os mais fragilizados com a greve, que durou 11 dias. Situação um pouco diferente vivem os sojicultores, já que a forte valorização do dólar frente ao Real em maio (de 6,7% frente a abril, a R$ 3,6370, a maior média desde março/2016), as firmes demandas interna e externa na primeira quinzena do mês e dificuldades logísticas causadas pela greve dos caminhoneiros sustentaram as cotações da soja. E, para completar, depois do expressivo crescimento registrado no ano passado, de 7,6%, com importante impulso ao Produto Interno Bruto (PIB nacional), novamente o agronegócio brasileiro deve crescer em 2018.

É o que afirma o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq/USP). No acumulado de maio, mesmo durante a greve, os valores do grão e do farelo de soja subiram pelo quarto mês consecutivo. O Indicador Esalq/BM&FBovespa da soja Paranaguá (PR) registrou elevação de 0,7% entre abril e maio, a R$ 86,12 por saca de 60 quilos, no mês passado. No mesmo comparativo, o Indicador Cepea/Esalq Paraná subiu 0,9%, a R$ 80,32 a saca de 60 quilos, na média de maio.

Outra boa notícia é que o expressivo crescimento do agro observado em 2017 (7,6%) deve se repetir neste ano. Pesquisa do Cepea/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). As primeiras estimativas para o PIB-volume do agronegócio em 2018 apontam alta de 5,5% no ano. Diferentemente do cenário do ano passado, em 2018, pesquisadores do Cepea/USP destacam que o impulso ao setor vem dos elos industriais, diante de estabilidade prevista para o PIB-volume do segmento primário. Desde meados de 2017, a agroindústria brasileira vem reagindo aos sinais de recuperação da economia brasileira, ainda que modestos, e recuperado sua produção e nível de empregos.

Para o segmento de insumos, estima-se crescimento de 2,9% no ano e, para a agroindústria, de 9%. Vale lembrar que o patamar de comparação, ou o primeiro bimestre de 2017, é bastante baixo. Pesquisadores do Cepea indicam que a expansão agroindustrial impulsionou ainda o segmento de agrosserviços, para o qual estima-se expansão de 6,6% em 2018, refletindo a grande quantidade de serviços necessários para o transporte e comercialização da elevada produção.

Ainda, quanto ao relativamente modesto desempenho do segmento primário do setor, destaca-se que a variação leva em conta o patamar recorde de produção de 2017. Segundo a Conab, mesmo com a safra brasileira de grãos diminuindo 2,1% em 2018 frente ao ano anterior, ainda será a segunda maior da história. Quantos aos preços, as estimativas atuais do Cepea/CNA apontam para perda de 6,5% nos preços relativos do agronegócio, indicando que os produtos do setor estão se desvalorizando frente à média da economia. Assim como observado em 2017, a pressão baixista da média de preços reais de produtos do agronegócio acabou suprimindo a evolução significativa em volume de produção e, com isso, estima-se queda de 1,3% no PIB-renda do setor. Entre os segmentos, a redução do PIB-renda é pressionada unicamente pelo primário, para o qual o recuo é estimado em 20,1%. Para os demais segmentos, impulsionado pelo bom volume de produção, o PIB-renda deve crescer.

Cepea/USP

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