Arquivo/Embrapa

Ações de conscientização e fiscalização marcam o Dia Mundial da Água

Em Goiás, a Controladoria-Geral da União (CGU) avaliou obras do Sistema Produtor Corumbá 4, a cargo das Companhias de Saneamento Ambiental do Estado de Goiás (Saneago) e do Distrito Federal (Caesb). Após as fiscalizações das irregularidades, houve economia de R$ 22 milhões com revisão de processos de contratação e execução das obras

Comemorado ontem, 22, o Dia Mundial da Água contou com ações para conscientizar e também fiscalizar o correto uso do recurso. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para estimular a reflexão sobre a importância da preservação. Além de debates, iniciativas como o uso da biotecnologia são ferramentas cada vez mais adotadas, pois com sementes com resistência à seca podem ser produzidos alimentos de forma cada vez mais sustentável.

Consciente da importância do recurso, o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) também divulgou relatório de avaliação, realizado ao longo do ano passado, enfocando as principais atitudes de enfrentamento da escassez de água no País. O objetivo foi apresentar diagnóstico dos investimentos feitos pelo governo federal na área hídrica. E também analisar o planejamento, o custo e a qualidade construtiva das obras estruturantes para ampliação do abastecimento nas residências, sobretudo em grandes centros.

Em Goiás, a CGU avaliou obras do Sistema Produtor Corumbá 4, a cargo das Companhias de Saneamento Ambiental do Estado de Goiás (Saneago) e do Distrito Federal (Caesb). Após as fiscalizações das irregularidades, houve economia de R$ 22 milhões com revisão de processos de contratação e execução das obras.

Na área da biotecnologia, uma das estratégias dos pesquisadores é identificar genes que possam ser utilizados para aumentar a eficiência do uso da água em plantas. É exatamente o caso do Ripe (do inglês Realizing Increased Photosynthetic Efficiency for sustainable increases in crop yield). O grupo tem como objetivo melhorar a eficiência da fotossíntese para incrementar o rendimento de culturas agrícolas por meio da engenharia genética.

Em outra vertente, a recuperação de nascentes, preservação de áreas de preservação permanente (APP´s) e um amplo diagnóstico para medir o potencial hídrico do Aqüífero Urucuia são ações lideradas pelos produtores de grãos do oeste da Bahia. Eles estão preocupados com a gestão e uso adequado dos recursos hídricos. E contam, para a execução das atividades, com o apoio das associações Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). Eles executam trabalhos de recuperação de nascentes, recuperação das APP´s e também apoiam um amplo diagnóstico das águas subterrâneas e superficiais nas bacias hidrográficas ligadas ao Aquífero Urucuia.

Recentemente, foram apresentados durante o 1º Seminário Internacional de Políticas Públicas de Gestão Sustentável dos Recursos Hídricos, realizado em Salvador e posteriormente em Barreiras, os resultados parciais deste estudo, desenvolvido pelos agricultores baianos em parceria com a Universidade de Nebraska, dos Estados Unidos, e Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais. O seminário e o estudo do potencial hídrico integram o Projeto Urucuia, que visa mensurar a disponibilidade dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos na região oeste da Bahia.

Ainda no último mês, os produtores rurais, por meio da Abapa e Aiba, ampliaram as ações que visam proteger e recuperar as nascentes de São Desidério, em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Até o momento, foram recuperadas cinco nascentes de um total de 16, uma delas no Dia Mundial da Água. No município de Barreiras, o trabalho de recuperação de nascentes será iniciado em abril, com a realização do Curso de Capacitação para a Recuperação de Nascentes, sendo previstas a recuperação de até 50 nascentes. Os agricultores também devem desenvolver o projeto em outras cidades do oeste da Bahia, a exemplo de Correntina, Cocos, Formosa do Rio Preto, Jaborandi, Riachão das Neves e Wanderley.

A categoria também contribui com os recursos hídricos por meio da execução de pequenas barragens em estradas que evitam o assoreamento de corpos d´água (nascentes, córregos e rios). A ação acontece por meio do programa “Patrulha Mecanizada” da Abapa. Somente no último ano, foram revitalizadas 223,2 quilômetros de estradas, e desde o início do programa, em 2013, já foram recuperados em cinco anos mais de mil quilômetros, com um investimento aproximado de R$ 30 milhões para a aquisição de máquinas, manutenção e custeio das operações do programa. O presidente da Abapa, Júlio Cézar Busato, explica que, aliado à conservação das estradas, é realizado este trabalho de proteger as nascentes e rios, o que mostra a importância dos recursos hídricos para quem planta.

Com o objetivo de contribuir com as diferentes demandas ambientais, as duas associações implantaram o Centro de Apoio na Regularização Ambiental das Propriedades, que orienta os produtores rurais para o cumprimento da legislação ambiental. Desde a sua criação, o setor já realizou mais de 30 workshops e reuniões, cerca de 500 atendimentos vinculados ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) e ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), que na Bahia é denominado Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais (Cefir), além de mais de mil atendimentos associados a diversos assuntos relacionados à sustentabilidade ambiental.

Já o projeto da Agricultura Sequestradora de Carbono avaliou os teores e acúmulos de matéria orgânica de CO² nos solos do Oeste da Bahia a partir de 800 amostras dos cerrados nativos e nas lavouras de algodão, milho e soja em dez regiões produtoras. O resultado obtido foi de 1,2 toneladas por hectare ao ano de CO² nas lavouras, o que representa 2,88 milhões de toneladas por ano de carbono sequestrado. Todos os cálculos foram feitos com base nas definições do protocolo de Kyoto. Esses números mostraram que o acúmulo de matéria orgânica nos solos cultivados foi muito superior aos solos de cerrados naturais. O que vai ao encontro da visão de que a produção agrícola é poluidora e libera CO² no meio ambiente.

Irrigação – “Do total de 2,2 milhões de área plantada, 160 mil são irrigados. Ou seja, somente 8% é irrigado. Quem utiliza sistemas de irrigação na produção passa por rigorosas concessões do uso da água pelos órgãos ambientais e por renovação da licença e fiscalização periódicas”, afirma o presidente da Abapa, Júlio Busato. Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Monitoramento por Satélite) mostra que 64% de todo o bioma cerrado do oeste da Bahia encontram-se conservados.

De um total de 11,6 milhões de hectares de terras nesta região, 3,6 milhões de hectares de vegetação nativa permanecem intocados e outros 2,3 milhões de hectares são exclusivamente de reserva legal. Ou seja, áreas de preservação permanente e de reserva legal dentro das propriedades agrícolas, reforçando o respeito à legislação ambiental e os esforços para a proteção do meio ambiente pelos agricultores baianos.

Portal Revista Safra, com informações da Abapa, CGU e Ketchum

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