Texto Comunicação Corporativa/Divulgação

Carne bovina tem liquidez e rentabilidade, diz presidente da ABCB Senepol

Em 2018, temos dólar em alta e expectativa de alta nos grãos, mas temos de continuar buscando eficiência, gestão e controle de processo para ter a fazenda nas mãos e, assim, tomar as melhores decisões”, afirma o médico veterinário Pedro Crosara Gustin, 51, à frente da entidade

O cenário econômico em 2018 ainda é de instabilidade. A atividade pecuária, desde o ano passado, sobreviveu em ciclos de baixa, agravados pela Operação Carne Fraca, delações de importantes players do mercado pecuário e pressões de quebra de contrato de exportações. “Mas conseguimos sobreviver e mostrar que a pecuária é forte e que o pecuarista é competente. Em 2018, temos dólar em alta e expectativa de alta nos grãos, mas temos de continuar buscando eficiência, gestão e controle de processo para ter a fazenda nas mãos e, assim, tomar as melhores decisões”, afirma o médico veterinário Pedro Crosara Gustin, 51 anos (foto), presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol).

Para ele, a carne bovina é um dos poucos produtos com liquidez e rentabilidade. Desde a época da colonização do Brasil, a atividade se caracteriza como uma moeda forte e reserva de valor. “E o mundo precisa do Brasil para continuar se alimentando,” diz. Especialista em melhoramento genético, Gustin é pecuarista há 18 anos e está à frente da administração da Estância Santa Luzia Senepol, de Monte Alegre de Minas (MG), cujo foco é criar soluções genéticas para somar resultados. A ABCB Senepol é associada da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon).

Gustin atua, desde 1990, no melhoramento e produção de aves, fato que o motivou, em 2004, a buscar uma raça bovina na qual pudesse utilizar sua expertise do melhoramento genético tendo como foco a redução do ciclo de abate, com maior produtividade em menos tempo. “Em 2009, após várias pesquisas, iniciamos a atividade de melhoramento e seleção de reprodutores da raça Senepol, selecionando os melhores indivíduos por meio de índices zootécnicos e características de genótipo em diferentes sistemas de produção”, explica o médico veterinário.

“Estamos sempre buscando conscientizar o pecuarista sobre sua importância para a cadeia produtiva da carne bovina no Brasil e no mundo. A Assocon é um órgão representativo com muita tradição, além de ser um agente transformador na pecuária de corte. O pensamento da entidade sempre esteve focado na união da cadeia a fim de gerar mais benefícios aos pecuaristas”, acrescenta Gustin.

Embargo russo – As preocupações do pecuarista Pedro Crosara Gustin e de entidades ligadas ao setor pecuário em relação ao cenário econômico são partilhadas pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi. A caminho de Johanesburgo (África do Sul), ele aposta nas conversas preparatórias da 10ª Cúpula do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para dar mais um passo na direção do fim do embargo russo à carne suína e bovina do Brasil. As restrições anunciadas sob o argumento de que haviam sido encontradas substâncias como estimulantes nos produtos brasileiros exportados para a Rússia já duram quase seis meses.

“Todos os pleitos da Rússia foram atendidos e estão vigentes”, afirmou o ministro hoje (quarta-feira, 20), minutos antes do embarque para São Paulo, de onde seguirá para o continente africano. Maggi admitiu que não será a esfera ministerial da reunião dos Brics que solucionará problemas relacionados à sua pasta, mas disse estar otimista de que os diálogos podem avançar para que esses impasses sejam dissolvidos no momento em que os chefes de Estados sentarem à mesa de negociações.

Outra frente que Maggi pretende enfrentar durante as reuniões preparatórias tem como alvo os representantes do governo chinês. Otimista, o ministro disse acreditar em uma solução próxima para a sobretaxa imposta ao frango brasileiro no início deste mês. Nos próximos dias, técnicos chineses chegam ao Brasil, em uma missão para avaliar números, e devem visitar três plantas de produção brasileira. “Eles alegam que fizemos dumping, usando preços mais baixos de produção, o que não é verdadeiro. O Brasil é um país muito competitivo com produção de farelo e milho”, explicou. Maggi admitiu que o Brasil precisa adotar uma “maior noção de mercado”. “Não adianta a gente abrir mercado e desestruturar as cadeias locais”, completou.

Guerra comercial – Maggi disse que o governo brasileiro não tem como interferir na disputa comercial iniciada pelos Estados Unidos, quando anunciou a sobretaxação de produtos da China e de países da União Europeia. O ministro admitiu que, em um primeiro momento, o Brasil pode até ganhar com a situação, mas a expectativa é a de que esse cenário prejudique outras variáveis da produção. Com a sobretaxa sobre a soja, que é regulada pela Bolsa de Chicago, os preços do produto caem em todo o mundo. “Terão que pagar um prêmio para buscar a soja brasileira que compensa um pouco, mas somos um grande fornecedor de grãos para a China. No momento em que é melhor vender o grão, as empresas param de fazer a moagem e perdemos mercado mundial de farelo”, explicou.

O reflexo esperado é o encarecimento da ração que é a base da produção animal nacional de frangos e suínos. “Para mim, só temos a perder nisso. Daqui a uns anos, China e EUA voltam a se acertar, ganham novamente o mercado de soja e nós já perdemos o mercado de farelo e competitividade na área animal”, acrescentou.

Acompanhando os debates, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, afirmou hoje (quarta-feira, 20) que o governo federal acompanha os desdobramentos da disputa comercial travada entre Estados Unidos e China, que pode ter impactos na redução do preço das commodities agrícolas no mercado internacional. Na semana passada, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou sobretaxas no valor de US$ 50 bilhões sobre centenas de produtos chineses que entram nos EUA. Como retaliação, o governo chinês também aplicou uma taxação equivalente contra uma extensa lista de itens comprados dos Estados Unidos, incluindo produtos agropecuários.

“Estamos acompanhando as manifestações de ambos os lados. Obviamente que fica a preocupação de termos, eventualmente, diminuição de valor de produtos que são fundamentais para as nossas exportações. Entretanto, nós temos uma relação sólida tanto com a China, que é nosso principal parceiro comercial, quanto com os Estados Unidos, nosso segundo principal parceiro comercial”, afirmou Jorge.

O ministro acrescentou que “seria prematuro” fazer qualquer menção sobre outros impactos que o recrudescimento das relações comerciais entre China e EUA pode trazer ao Brasil, mas ressaltou que essa disputa não interessa a ninguém. “O que nós esperamos é que essas posições não levem prejuízos não apenas para o Brasil, mas para o mundo inteiro.”

Jorge também comentou que o governo federal tem atuado diretamente com o Departamento de Comércio chinês para evitar que o embargo às exportações brasileiras de carne de frango se torne definitivo. No início do mês, a China impôs, em caráter provisório, medidas antidumping sobre a importação de frango do Brasil, por considerar que seus produtores sofrem concorrência desleal do País. Com isso, as empresas que exportam para a China passaram a pagar sobretaxas que variam entre 18,8% e 38,4%, que é a faixa de dumping (venda de produtos com preço abaixo de mercado) que as autoridades de Pequim calculam que tem a carne de frango brasileira.

Pacto Global – O ministro Marcos Jorge deu as declarações após participar do evento que confirmou a adesão do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) à Rede Brasil do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU). O ministério é o primeiro órgão do Poder Executivo Federal a fazer parte da rede, que articula empresas privadas e instituições no desenvolvimento de ações e valores internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. O evento contou com a participação de representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (Pnud) e do Comitê Brasileiro do Pacto Global (CBPG).

“Nós temos a expectativa de poder contribuir, a partir de grupos de trabalho, com temas como uso da água, da energia, que é um insumo fundamental da nossa indústria. São trabalhos que podem contribuir com o setor produtivo brasileiro, mas também com a agenda que nós temos pela frente até 2030, que afeta sustentabilidade, desenvolvimento e, sobretudo, meio ambiente.”

Portal Revista Safra, com informações da Texto Comunicação Corporativa e Agência Brasil

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