Divulgação/Voltz Comunicação

Cadeia produtiva do agro cobra empenho de autoridades

“Economicamente, a Tecnoshow Comigo é um evento extremamente relevante para a economia do estado e do sudoeste goiano. Tem um forte impacto no produtor rural na medida em que oferta um conjunto de palestras extremamente expressivas para a produção no campo”, disse o governador de Goiás, José Eliton

Começou hoje a maior feira de tecnologia rural do Centro-Oeste. Já consolidada nos calendários goiano e nacional, a 17ª Tecnoshow Comigo 2018 quer superar em público e também em negócios a do ano passado. Mas, além de bons negócios, o espaço também serve para palestras e debates de assuntos atuais do agro. Um deles, a cultura do algodão, que cresce no nível de interesse do produtor. Que ficou sabendo, no dia de hoje, 9, sobre formas de otimizar insumos para a produção.

A engenheira agrônoma e pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Algodão) Ana Luiza Dias Borin tratou da questão na palestra É possível otimizar as adubações nos sistemas de produção do algodoeiro?, dentro das atividades da Casa da Embrapa. De acordo com a estudiosa, com o atual uso da soja precoce, abriu-se uma janela de oportunidade para se semear algodão. E, nesse ponto, o algodão safrinha veio como possibilidade muito mais rentável, às vezes, do que o próprio milho. De acordo com ela, hoje, no Mato Grosso, por exemplo, 70% do algodão semeado é em segunda safra. “Já se tornou uma realidade até para quem é produtor de algodão. Ele prefere usar a safrinha do que a safra convencional nas regiões que o clima permite”, avalia.

A Tecnoshow deste ano também se converte em oportunidade para que produtores cobrem menores taxas de juros e mais empenho das autoridades políticas visando melhorais no agronegócio, um setor pilar para a economia do País. Foi o que ocorreu hoje pela manhã, durante a abertura oficial do evento, que teve a presença do governador de Goiás, José Eliton.

“Com a Selic (taxa básica de juros) a 6,5% e a taxa de investimento rural a 8,75%, o produtor tem perdido renda e não consegue fazer os investimentos necessários em tecnologia e na atividade rural”, ressaltou o presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), Antonio Chavaglia, durante a abertura da feira, em Rio Verde (sudoeste de GO). Com a presença de representantes dos governos federal, estadual e municipal, além de produtores rurais goianos, imprensa e demais convidados, ele cobrou mais empenho das autoridades para buscar soluções para melhorar a atividade agropecuária e fortalecer o setor, que segundo ele, tem mantido – apesar das dificuldades – a economia brasileira aquecida.

De acordo com Chavaglia, o produtor tem buscado investir em máquinas e implementos, armazenamento dos grãos, mas encontrado uma falsa viabilidade econômica para isso. “Isso assusta a gente na hora de investir. Os preços de máquinas e implementos subiram 150% nos últimos seis anos. As autoridades desse País precisam verificar a taxa de juros para investimento. Da forma que está, o produtor só vem perdendo renda ano após ano, e isso interfere na economia e geração de emprego e renda. Muitos estão deixando a atividade”, enfatizou.

O presidente da Comigo disse também que já cobrou do governo federal posição relacionada às taxas de juros e outros gargalos como transporte e segurança, por meio do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi – com quem esteve recentemente -, mas que soluções não foram apresentadas ainda. “As autoridades políticas têm tudo para fazer as melhorias e reformas necessárias, porém não tem sido feito. Quem fica penalizado com tudo isso é a sociedade”, disse. Na abertura da feira, o ministro não esteve presente, porque está em viagem para a Europa. Nenhum representante do Mapa também participou da solenidade.

O governador de Goiás falou da importância da Tecnoshow Comigo para a apresentação de novas ferramentas tecnológicas e qualificação do produtor rural, além de comercialização de produtos. “Economicamente, é um evento extremamente relevante para a economia do estado e, consequentemente, da região sudoeste do estado. Do ponto de vista de formatação e ferramentas de tecnologia da produção do campo tem um forte impacto no produtor rural na medida em que oferta um conjunto de palestras extremamente expressivas para a produção no campo”, disse.

Questionado sobre as condições das vias de escoamento da safra na região de Rio Verde, Eliton disse que hoje são duas realidades no estado. “Primeiro, com a malha rodoviária pavimentada. Nós estamos com toda a região Sudoeste em perfeita condição de trafegabilidade. Inclusive a GO-174, que liga Rio Verde a Montividiu, até o final de junho nós entregaremos a terceira faixa plenamente funcionando, importante via de escoamento de produção dessa região.”

O vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), José Mário Schreiner, também presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), destacou a força do agronegócio, responsável pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e como a feira incentiva o segmento. “Nosso setor cresceu 13% e puxou o PIB do País. Em Goiás, o estado cresceu de 7% a 8%, incentivado pelo agro, que evoluiu em 21%”, disse. Schreiner afirmou que estão finalizando a formatação do Plano Safra, exatamente para não aceitar mais os juros altos que são cobrados de investimento, crédito rural e Selic.

O prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale, também reforçou que a feira é marcada pela credibilidade e isso traz retorno para o município. Durante a abertura, trouxe importantes números que mostram a relevância de Rio Verde no cenário do agronegócio, já que, segundo ele, é o segundo no PIB agrícola no Brasil, maior arrecadação de impostos no estado e grande criador de gado e produtor de soja. “É importante aproveitar este espaço para network e realização de negócios”, disse.

Portal Revista Safra, com informações da Voltz Comunicação

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